Mai 08

O DESGUIAR DOS POMBOS DE VARA

Com muita frequência somos questionados pelos nossos amigos sobre como deverão proceder para “desguiar” os seus pombos de vara. Por essa razão, entendi desenterrar um assunto que os (raros) verdadeiros negaceiros do passado dominavam, mas que hoje poucos conhecem, apesar de se tratar de algo muito simples.

O “desguiar” insere-se num tema bastante mais vasto que é a preparação dos nossos pombos de vara e demais negaças para a caça aos pombos torcazes. É sabido que, antes de se iniciar a actividade venatória, há que fazer uma selecção cuidada das características que devem possuir os nossos pombos. Só assim poderemos ter sucesso numa actividade que nos apaixona.

De facto, importa fazer uma selecção das melhores características que tornam um pombo capaz de exercer a “nobre” arte de Pombo de Vara. Entre outras, referimo-nos à sua resistência, aliada à força nas patas, à sua atitude no poleiro e à sua capacidade de voo. Tudo isto tem de se conjugar num pombo que seja de raça apropriada, com uma cor o mais semelhante possível aos torcazes e, preferencialmente, sem barras negras.

Intencionalmente, no parágrafo anterior não referi o “guizo”, característica que muitos negaceiros e aspirantes a negaceiros valorizam acima de todas as outras. Esta característica, dada a polémica a ela associada, só por si, daria para escrever um artigo deste tipo. Eu acredito que o guizo, na realidade, não é tão importante. Hoje é possível chamar os pombos torcazes a grandes distâncias, o que torna impossível que estes possam ouvir o referido “guizo” das nossas negaças e não é por isso que deixam de se dirigir á armação. Este facto é totalmente confirmado quando caçamos em dias húmidos, onde mesmo os pombos com muito guizo, deixam de o ter e não é por isso que os torcazes deixam de ser atraídos ao “engano” criado pelos negaceiros. Ainda assim, admito que é uma característica “simpática”. Julgo que não haverá nenhum negaceiro que não goste de ouvir o guizo dos seus pombos de vara. Ainda pela positiva devo referir que, em situações em que o negaceiro não possa ver o seu pombo de vara, como é o caso das ponteiras de rolo utilizadas na árvore da armação, é importante ouvir o bater de asas do nosso pombo para saber que tudo funciona correctamente e aí o guizo tem um papel determinante. Em resumo, mesmo não achando que seja uma característica demasiadamente importante, gosto que os meus pombos tenham um bom “guizo”.

Pombo de Guizo adequadamente desguiado

Após termos escolhidos as aves que apresentam as melhores características e elas estarem convenientemente treinadas, importa dar-lhes o tratamento adequado, ou seja, para além de lhes facultarmos a alimentação e complementos necessários à sua boa saúde, fundamental para garantir que irão ter o desempenho que esperamos, importa tratar-lhes adequadamente da plumagem. Neste capítulo temos de considerar três aspectos fundamentais: o seu transporte, que deverá ser feito sempre em gaiolas ou caixas adequadas, a colocação no champil, que deverá ocorrer em finais do mês de Setembro, início do mês de Outubro e o desguiar, objecto deste artigo.

Gaiola para transporte de dois pombos em condições muito satisfatórias

Champil

A nossa prática segue com rigor aquilo que é a tradição, ou seja, quando se dá a passagem da Lua Nova para o Quarto-Crescente de Junho, devemos proceder ao desguiar dos nossos pombos. De acordo com aquela tradição, desguiar nesta altura do ano não só permite atingir o nosso objectivo de ter os nossos pombos rigorosamente emplumados no início da caça mas também possibilita que as guias (rémiges primárias) cresçam um pouco mais, melhorando o guizo do pombo.

A acção de desguiar consiste basicamente em retirar, na altura indicada, 3 ou 4 penas da extremidade da asa (rémiges) e todas as penas da cauda (rectrizes). Garantimos assim que na altura em que se inicia a caça aos pombos migratórios temos os nossos pombos de varas e demais negaças completamente emplumadas e com as caudas muito certas, como ocorre com os pombos torcazes. Só assim garantimos que os nossos pombos não caçam com falta de penas nas asas ou na cauda.

Rémiges a eliminar

Deverá ser dada especial atenção no arranque da pena às “penas de sangue”, ou seja às penas novas em que o cálamo e o ráquis ainda não maturaram, pois se uma pena neste estágio for arrancada isso dará origem a uma hemorragia complicada de parar. Também não devem ser arrancadas as penas que já mudaram, mais azuladas que as velhas.

Há que ter também atenção a que um pombo que for desguiado na altura indicada não poderá ser utilizado nas mais adequadas condições para trabalhar como pombo de vara na caça de Verão, em finais de Agosto e Setembro, pois a sua plumagem em crescimento não lho irá permitir.

Boas caçadas.

Paulo Santana

Mai 08

POR ONDE ANDARAM (desde 2012)

Com este artigo pretende-se publicar, para memória futura, o histórico dos apontamentos efectuados pela Paixão Azul no seu site, desde 2012, relativos à presença de pombos torcazes migradores no nosso território. O relato inicia-se a partir do ano mais recente.

2017/2018

03 NOVEMBRO

A maioria das reservas abre no domingo. A zona do Pinheiro já tem um quantitativo muito interessante. Como habitualmente nesta época, pombos na zona de Grândola, Alvalade e Ferreira. Bastantes pombos já a comer no azinho perto da barragem de Odivelas.

06 NOVEMBRO

A quase total ausência de bolota de sobro originou que, genericamente, as caçadas fossem menores do que o normal, para esta época, quando comparado com anos anteriores. Isto aconteceu sobretudo na zona de Palma, um dos destinos principais da migração. Algumas boas caçadas na zona de Grândola e também mais para sul. Boas caçadas na zona de Ferreira do Alentejo. Os torcazes já desceram até Garvão.

Os pombos que entraram na península e que se encontravam mais ou menos parados em Espanha, com a melhoria do tempo, desceram ontem e hoje em direcção ao nosso país, observando-se bastantes bandos de passagem abaixo de Castelo Branco. Tal como nos anos mais recentes, os torcazes, na fase migratória, não permanecem mais do que o tempo necessário no país vizinho, dirigindo-se o mais rapidamente possível para a enorme extensão de montado de sobro que existe no litoral português, abaixo de Setúbal. Apesar disso, contrariamente ao desejo dos caçadores portugueses, a grande quantidade de bolota de azinho que existe em Espanha seguramente originará que o seu percurso de retorno se faça mais cedo do que o habitual.

Uma chamada de atenção para a necessidade de acompanhar os nossos pombos com a declaração de vacinação contra a Doença de Newcastle. Durante o fim-de-semana foram feitas várias autuações em várias zonas do país, por ausência deste documento.

10 NOVEMBRO

No passado fim-de-semana, caçadas sofríveis na zona de Palma/Pinheiro e também em Grândola. Os pombos que aí estavam desceram para a zona a sul da serra de Grândola. Fizeram-se boas caçadas em Alvalade do Sado, tendo os torcazes descido já até Colos, Aljustrel e Ourique. Boa caçadas na zona de Ferreira (onde continuam em bom número) e Canhestros e ainda nas imediações da Barragem de Odivelas.

13 NOVEMBRO

Situação sem grandes alterações. Os pombos encontram-se quase exclusivamente a sul da Serra de Grândola, entre Alvalade do Sado e Ourique. Também continuam bastantes pombos na zona de Ferreira do Alentejo.

As caçadas de Domingo na zona de Palma / Pinheiro correram particularmente mal. Também caçadas sofríveis na zona de Grândola. Pelo contrário, nas diversas zonas de caça localizadas nas zonas onde se encontram os torcazes (muitas delas abriram ontem), fizeram-se caçadas muito interessantes.

17 NOVEMBRO

Tirando uma ou outra caçada, mais ou menos fortuita, como aconteceu numa reserva em Palma onde, inesperadamente, entraram uns pombos que permitiram bons números, tudo mais ou menos na mesma. O principal núcleo encontra-se de Alvalade do Sado para sul e também de Ferreira do Alentejo para sul.

Em Espanha não há pombos. Algumas caçadas na zona de Cedillo, com pombos de passagem para Portugal.

20 NOVEMBRO

Pombos muito espalhados, embora as principais concentrações estejam muito para sul. Há um núcleo, embora disperso, entre Ferreira do Alentejo e V. N. Baronia, estendendo-se um pouco mais para sul. Tal como na passada semana, o principal núcleo estende-se para baixo de Alvalade do Sado (Messejana, Bicos…) e Aljustrel, até Ourique. Em Espanha não há pombos, pelo menos com algum significado.

24 NOVEMBRO

O mau tempo provocou ontem e, sobretudo, hoje, uma subida generalizada dos pombos em busca de dormidas mais adequadas. Ontem, pombos na zona de Grândola e Ferreira do Alentejo.

27 NOVEMBRO

Confirmou-se o movimento para norte devido ao mau tempo. Esta movimentação deverá ser mais acentuada no final desta semana, a partir da próxima quinta-feira.

Os pombos passaram a dormira nas zonas de pinhal. Alguns pombos na zona da Palma / Pinheiro. Tal como no final da passada semana, maiores quantitativos nas zonas de Grândola e Ferreira do Alentejo.

04 DEZEMBRO

O movimento para norte / nordeste tem continuado, embora, devido à reduzida intensidade do vento, esteja a ter uma dimensão menor do que o previsto. Ao longo da passada semana, alguns pombos (não muitos) a subirem direcção Évora Monte. Idem na direcção de Brotas, subindo a Ribeira do Divor. Continuam bastantes pombos na zona de Ferreira. Os pombos que estavam a dormir até ontem na zona de Grândola e Alvalade do Sado não voltaram. Pombos na zona de Vila Nova da Baronia a sair na direcção Viana do Alentejo.

Em Espanha, a Serra de São Pedro e a zona de Córdova, continuam sem torcazes. Alguns pombos a sair de Portugal na direcção da serra a norte de Huelva.

11 DEZEMBRO

Com vento noroeste forte, a subida para norte foi bastante mais marcada na sexta e no sábado passados. Muitos pombos a subir direito à Serra de Ossa, tendo chegado a Portalegre e à zona de Monforte. Continuam bastantes pombos em Vila Nova da Baronia. No que se refere aos outros núcleos, encontram-se bastante espalhados. Alguns pombos durante a Sexta e o Sábado na zona de Brotas/ Pavia / Ciborro / Sabugueiro. Também alguns pombos na zona do Torrão e das Alcáçovas. Grândola e Palma sem pombos. Poucos em Ferreira do Alentejo.

No que toca ao país vizinho, o movimento para norte permitiu a chegada dos primeiros torcazes à Serra de São Pedro.

15 DEZEMBRO

Após o mau tempo, os pombos espalharam-se um pouco mais, embora estejam apenas nas zonas onde abunda a bolota de azinho. Continuam, embora bastante menos, em Ferreira, Ervidel e Vila Nova da Baronia, estendendo-se até Viana do Alentejo e Torre de Coelheiros. Pombos na zona de Extremoz e Vimeiro, estendendo-se até Fronteira, Crato, Monforte e Portalegre.

18 DEZEMBRO

Situação sem grandes alterações. A movimentação para norte continua. O principal núcleo encontra-se em Estremoz e Vimieiro, estendendo-se até Portalegre e Monforte. Continuam alguns pombos na zona de V. N. da Baronia. Também continuam pombos, embora dispersos, na zona de Ferreira e Canhestros até Aljustrel.

Em Espanha há alguns pombos, não muitos, na Serra de São Pedro, na Extremadura, dormindo sobretudo em Campo Macias.

22 DEZEMBRO

Cada vez mais para norte. Menos pombos em Estremoz e Vimieiro. Pombos em Portalegre, Crato e Alter do Chão. Cada vez passam mais pombos para Espanha.

28 DEZEMBRO

Situação sem grandes alterações. O principal núcleo encontra-se na zona do Crato e Alter do Chão, embora hajam pombos bastante espalhados por toda a zona perto da fronteira entre Estremoz e o Vale do Tejo.

Em Espanha algumas boas caçadas em Córdova. O núcleo que se encontra na Serra de São Pedro é relativamente pequeno. Alguns bandos subiram já pelo Tejo até Coria e Plasência, atingindo mesmo a zona a sul de Salamanca.

02 JANEIRO

Cada vez mais pombos a passarem na direcção de Espanha. A Serra de São Pedro vai aumentando os seus quantitativos. Por cá pombos em Portalegre, Crato, Alter do Chão e Monforte. Restam poucos na Serra de Ossa.

09 JANEIRO

Em Portugal continuam alguns bandos dispersos por uma área bastante grande e pombos soltos aqui e ali. O maior núcleo encontra-se do outro lado da fronteira, sobretudo na serra de São Pedro, na Extremadura espanhola.

 15 JANEIRO

Cada vez menos pombos em Portugal. Continuam pombos na zona do Crato. Há um razoável núcleo que dorme a sul de Sto. Aleixo da Restauração e que vai comer para Espanha, direcção Huelva. O núcleo que se encontra na Serra de São Pedro diminuiu no passado fim-de-semana. Pombos já para norte na Extremadura espanhola, nomeadamente na zona do Vale do Tejo e Placência.

26 JANEIRO

Ano particularmente complicado. As (boas) notícias são muito escassas. Em Portugal, tirando alguns pombos soltos, de assinalar apenas o núcleo que continua na zona entre o Crato e Alter-do-Chão. Em Espanha também não são de assinalar grandes alterações. Os pombos que se encontravam na Serra de São Pedro já não se encontram lá ou, pelo menos, são em número bastante reduzido. Alguns pombos na zona de Córdova. Tirando isso, pombos aqui-e-ali, em zonas de caça grossa, em que não se caça, com muita comida, onde os pombos permanecem completamente sossegados.

19 FEVEREIRO

Depois de uma longa ausência devida, no essencial, à falta de notícias relevantes, nesta altura em que o fecho de mais uma época aí está, voltamos ao contacto para informar que nesta ponta final os pombos continuam anormalmente espalhados, agora já muito soltos, tendo aparecido alguns nas zonas do Rosmaninhal e de Estremoz, para além de Portalegre onde têm estado presentes há algum tempo. Nestes últimos dias também se fizeram algumas caçadas interessantes na Serra de São Pedro, na Extremadura espanhola.

2016/2017

18 NOVEMBRO

Depois de uma permanência de cerca de três semanas na zona de Grândola, o núcleo mais a sul, deslocou-se ainda mais para baixo. Ontem, boas caçadas a sul da Serra de Grândola: Avalade do Sado, Fornalhas, Colos, Mimosa, Cercal, … Depois das boas caçadas no início do mês, a zona do Pinheiro Francês voltou a ter pombos, com mais uma boa entrada ocorrida no início da semana. Também ai houve algumas boas caçadas.

De Espanha poucas notícias. De referir apenas a entrada de alguns bandos na zona norte da Extremadura, certamente na direcção d nosso país.

21 NOVEMBRO

Grande movimentação para norte dos pombos que se encontravam mais a sul. A tal terá obrigado o mau tempo que ontem também impossibilitou a realização de caçadas dignas desse nome. Muitos pombos na zona de Palma / Pinheiro.

Em Espanha só são notícia os pombos que se encontram em trânsito para sudoeste na direcção do nosso país. Referimo-nos à zona de Burgos e à zona a sul do País Basco, com muitos pombos, seguramente os que entraram na Península há cerca de uma semana.

25 NOVEMBRO

Mais uma movimentação, agora para nordeste, dos pombos que se encontravam na zona de Grândola. Continuam bastantes pombos na zona de Palma / Pinheiro, embora, com uma ou outra excepção, as caçadas tenham sido fracas. Este facto deve-se, como é sabido, aos pombos permanecerem  maciçamente, nos dias de caça, em parcelas ou herdades onde não se caça.

28 NOVEMBRO

O mau tempo não permitiu boas caçadas ontem. Os pombos começam a formar bandos muito grandes, o que também dificulta a sua caça. Pousam em grandes quantidades em locais onde não é feita pressão e saem apenas no final do dia em direcção às dormidas.

Bastantes pombos na zona de Palma / Pinheiro. Um contingente ainda razoável na zona de Grândola. As deslocações dos últimos dias em direcção nordeste faz com que já tenham chegado a S. Cristóvão e naturalmente ao Torrão, Odivelas e Alvito.

30 NOVEMBRO

Ontem e sobretudo hoje, muitos pombos a chegar ao Pinheiro. Trata-se do meio milhão de pombos que passou os Pirinéus já com as contagens encerradas e que na altura tivemos a oportunidade de referir.

02.DEZEMBRO

Mais um dia caracterizado por tempo sofrível e pombos em grandes bandos. Estes dois aspectos conjugados fizeram que, mesmo em zonas em que existem grandes concentrações de torcazes, as caçadas tenham sido muito fracas. Referimo-nos sobretudo à zona do Pinheiro / Palma, onde se encontra a maior concentração e que tem vindo a aumentar nos últimos dias. Aqui os pombos saem na direcção norte ou nordeste e ficam poisados durante todo o dia onde encontram sossego, saindo apenas no final para a dormida. Em Grândola, onde também existe uma concentração relevante, embora muito menor do que a anteriormente referida, a situação é análoga, saindo os pombos uns dias para nordeste, direcção Torrão, Alvito, Odivelas, e outros para sul. Foi exactamente a sul da Serra de Grândola que ontem, com o tempo a facilitar um pouco mais, foram feitas algumas caçadas interessantes.

A previsão meteorológica e a abundância de comida deixam antever que a situação reportada poderá não sofrer grandes alterações nos próximos dias.

Em Espanha de assinalar mais uma debandada maciça, em direcção a Portugal, dos pombos que ainda se encontravam na zona de Salamanca. De assinalar ainda que os pombos oriundos da corrente migratória que passa nos Pirinéus orientais, junto do Mediterrâneo (não contabilizada nas contagens), este ano em menor quantidade, chegaram ao Vale de Pedroches, na zona de Córdova, seu destino habitual, antevendo-se possíveis boas caçadas para os próximos dias.

05.DEZEMBRO

Situação sem grandes alterações. Novo fim-de-semana com mau tempo a impedir boas caçadas.

Mantém-se uma grande concentração de pombos na zona Pinheiro / Palma. Saem, pousam e permanecem onde encontram sossego, até voltarem para a dormida. Pombos em Vendas Novas, Canha, Casebres e Pegões

09.DEZEMBRO

A concentração na zona do Pinheiro / Palma diminuiu substancialmente. Os pombos subiram de forma mais clara do que vinham a fazer há já alguns dias. Pombos em Montemor, Escoural, Canha, Branca e Coruche, tendo mesmo chegado já à zona de Montargil.

12.DEZEMBRO

Mantém-se a situação anterior. Maior concentração na zona compreendida entre Montemor, Vendas Novas e Coruche. Muitos pombos em Santana do Mato e no Escoural.

Apesar de ser um mês algo complicado, o bom tempo permitiu que ontem tivessem sido feitas algumas boas caçadas.

17.DEZEMBRO

O vento nordeste levou a mais uma subida nesta direcção da maior concentração de torcazes. Embora continue a dormir no Pinheiro uma quantidade relevante de pombos, o maior contingente encontra-se na zona de Santana do Mato, Aldeia Velha, Couço, Montargil e Forros do Arrão. Chegaram já ao Crato e a Espanha, à zona de Cedillo.

20.DEZEMBRO

Situação sem grandes alterações. Pombos muito espalhados, mas a manterem-se quase na totalidade no nosso país. De referir um núcleo relevante a dormir no Pinheiro e a comer em Palma. O maior contingente encontra-se na zona de Santana do Mato. Pombos em Aldeia Velha, Ponte-Sôr, Ciborro e Montemor.

Em Espanha, algumas boas caçadas de pombos que permanecem na zona de Salamanca. Pombos na zona de Cedillo. Há também um quantitativo interessante no Vale de Pedroches, Córdova.

26.DEZEMBRO

Com pequenas variações, a situação tende a manter-se. Os pombos que há uma semana se deslocaram para a zona de Cedillo voltaram para sul, motivados certamente pela pouca comida que encontraram. Embora com oscilações significativas, mantém-se uma concentração relevante a dormir no Pinheiro e a comer na zona de Palma. Mantém-se também a concentração na zona do Ciborro, Lavre, Santana do Mato. Pombos em Barrancos e Sto. Aleixo da Restauração.

30.DEZEMBRO

Ontem, mais um dia de boas caçadas no Pinheiro Francês. Continua a dormir nesta zona um quantitativo muito relevante de torcazes. A maior concentração mantém-se, com algumas oscilações, na zona de Santana do Mato, Lavre e Ciborro. Estes pombos saíram ontem em direcção a Brotas e ao Sabugueiro, tendo mesmo chegado a Pavia, onde também houveram algumas caçadas interessantes. Já chegaram alguns pombos à zona do Vimieiro.

Em Espanha apenas alguns pombos na zona a norte de Huelva. Dormem do nosso lado da fronteira e saem para comer nessa zona. Fazem parte do contingente que se encontra em Barrancos e Sto. Aleixo.

02.JANEIRO

Movimentação para leste/nordeste nos últimos dias, embora continuem bastante dispersos. A zona do Pinheiro Palma ficou praticamente sem pombos no fim-de-semana. Estes pombos chegaram no sábado à zona de Santana do Mato. Também se deslocaram para leste alguns dos que se encontravam na zona do Ciborro / Santana do Mato, tendo chegado ao Vimieiro.

6.JANEIRO

Caçadas muito fracas sobretudo devido aos grandes nevoeiros que se têm feito sentir. Mitos pombos a dormir na zona de Vendas Novas e em Coruche. Pombos na zona de Ponte de Sôr, Valongo e Galveias. Em Barrancos continua também um contingente interessante de torcazes.

Em Espanha, embora se comecem a ver alguns bandos, são muito poucos e dispersos.

09.JANEIRO

Situação sem grandes alterações. A maior concentração continua na zona de Coruche, Santana do Mato, Ciborro estendendo-se até Foros do Arrão.

16.JANEIRO

Embora lentamente, assiste-se a uma deslocação dos pombos torcazes cada vez maior no sentido nordeste. Chegaram bastantes bandos a Espanha. Subiram pela zona do rio Tejo e alojaram-se na zona a norte de Cáceres. A Serra de São Pedro continua em pombos. Vamos continuar atentos ao que vai acontecer nos próximos dias, pois a ausência quase total de comida dificultará de sobremaneira a manutenção dos torcazes naquele país.

23.JANEIRO

A situação mantém-se sem grandes alterações, não sendo expectável que algo venha a mudar muito até ao final. Pombos muito dispersos e em pequenas quantidades. A maior concentração continua na zona de Montargil

30.JANEIRO

Nada de novo no que se refere aos pombos no nosso país. O maior contingente mantém-se na zona de Montargil. Relativamente a Espanha, de assinalar a chegada de bastantes pombos à zona de Córdova (Vale de Pedroches), o que permitiu um número significativo de boas caçadas no passado fim-de-semana.

06.FEVEREIRO

Situação praticamente sem alterações em Portugal. Embora com pequenas alterações locais, a maior concentração de torcazes continua a dormir na zona de Montargil. Genericamente, assiste-se a uma movimentação para nordeste, típica desta altura do ano, em que os pombos iniciam o percurso de volta para os seus países de origem, a chamada migração pré-nupcial. Este movimento traduz-se na existência de quantitativos já muito significativos em Espanha, país onde, para além da concentração muito significativa, já reportada, na zona de Córdova / Vale de Pedroches, se verificou recentemente o aparecimento de muitos pombos na zona a norte do Parque Nacional da Serra de Monfrague, a norte de Cáceres.

13.FEVEREIRO

Os torcazes estão cada vez mais dispersos. Já não existe uma concentração digna de registo. Os bandos vão-se dirigindo para nordeste, em direcção a Espanha, sem que haja também aqui uma concentração significativa, dada a ausência de comida. Neste país as maiores concentrações encontram-se a sul da Serra de São Pedro, em Vale de la Torre, a comer na maior concentração de sobreiros existente naquela serra, e na zona de Córdova.

 

2015/2016

29.OUTUBRO.

Muito poucos relatos relativos à presença de torcazes em locais onde, nesta altura do ano, ou já se abriu ou se planeia fazê-lo muito para breve.

Hoje (pequenas) caçadas na zona do Vimeiro. Muito poucos pombos na zona de Palma / Pinheiro. Residuais na zona de Grândola. Na zona de Brotas / Ciborro /Sabugueiro, onde também se fizeram pequenas caçadas no domingo, hoje praticamente não apareceram.

02.NOVEMBRO

Ontem, muitos pombos de entrada nos canais habituais. Todos direitos à costa. Finalmente houve uma entrada no Pinheiro Francês. As maiores concentrações encontram-se de Grândola para sul. Pombos na zona de Sta. Margarida, Caneiras, Alvito, Messejana. Em Espanha boas caçadas na zona Córdova.

06.NOVEMBRO

Os pombos que já se encontram entre nós começam a procurar o azinho, a sul da Serra de Grândola. Como habitualmente, o Pinheiro e algumas reservas da zona Palma começam a apresentar quantitativos interessantes, devendo abrir no próximo fim-de-semana.

Em Espanha, o Vale de Pedroches, na zona de Córdova, começa a apresentar bons quantitativos. Estes pombos derivam da corrente migratória que passa nos Pirinéus orientais e não é contabilizada. Há notícia de pombos na zona de Valladolid a comer. Deverão dirigir-se a Portugal nos próximos dias.

09.NOVEMBRO

Ontem, abriram a maioria das zonas no triângulo Palma, Ferreira e Alvalade do Sado. Verificaram-se bastantes caçadas boas. Pombos no Sabugueiro e em Montemor. A entrada de pombos continuou durante o fim-de-semana e embora já tivessem sido observados alguns bandos na direcção de Espanha através da zona de Portalegre, a maioria deslocou-se na direcção habitual, para sudoeste.

Em Espanha a Serra de São Pedro não tem pombos, pelo menos em quantidade. A grande concentração mantém-se na zona de Córdova.

13.NOVEMBRO

Perante a pouca quantidade de bolota de sobro, a esmagadora maioria dos pombos encontra-se a comer no azinho. Muito boas caçadas na zona compreendida por Viana do Alentejo, S. Cristóvão, V. N. da Baronia, Torrão… Caçadas bastante mais fracas do que as que se verificaram no domingo na zona de Palma, Alcácer e Grândola.

Em Espanha a situação mantém-se na mesma. Pombos em Córdova e na zona oeste da Serra San Pedro.

16.NOVEMBRO

Muitos pombos durante o fim-de-semana na zona de Torrão e Odivelas. Boas caçadas no Escoural. Menos pombos em Alcáçovas e Vila Nova da Baronia. Boas caçadas em Ferreira.

Poucos pombos na zona de Palma / Pinheiro e Grândola. A maioria dos torcazes deslocou-se para sul.

Pombos em Monforte. Este núcleo tem a sua maior expressão do lado espanhol da fronteira, com boas caçadas em Valência de Alcântara e muito boas (3 dígitos) na zona de Cedillo.

23.NOVEMBRO

Ontem, boas caçadas entre Montemor e Arraiolos. Menos pombos na zona de Grândola e Palma.

30.NOVEMBRO

Pombos muito espalhados a comer no azinho. Alguns pombos na zona entre Montemor, Vendas Novas e Santana do Mato. Pombos a comer muito a sul perto da serra algarvia. Pombos em Ferreira do Alentejo.

Em Espanha, muitos pombos a sul, na Serra de Huelva.

07.DEZEMBRO

Os pombos continuam muito espalhados, embora com tendência para subir direito a Espanha. Cada vez há menos pombos na zona de Aljustrel e na zona de Palma / Pinheiro. A maior concentração esteve até domingo no Alto Alentejo. Pombos em Vendas Novas, Canha, Évora, Redondo, Vimieiro, Extremoz, Brotas e Avis. No domingo forte movimentação em direcção a Portalegre.

14.DEZEMBRO

A situação anteriormente reportada continua sem grande alteração. A maior concentração encontra-se na zona do Vimieiro, com os pombos a saírem para várias direcções em função dos ventos e da pressão que vão sofrendo. Para sul, poucos e muito dispersos.

Em Espanha, a situação mantém-se, com muito poucos pombos. No fim-de-semana algumas caçadas na zona de Cedillo e Valência de Alcântara e pouco mais.

21.DEZEMBRO

Os pombos estão cada vez mais concentrados a dormir na zona do Vimieiro. Saem para norte e nordeste, direcção ao Cano, Casa Branca e Sousel. Pombos em Malpica do Tejo.

Por Espanha poucas alterações também. Alguns pombos a comer na zona de Cedillo e a dormir em Portugal. Pombos na Serra de Huelva, bastante mais a sul.

28.DEZEMBRO

A maior dormida na zona do Vimieiro tem cada vez mais pombos. Apesar disso, mesmo nessa zona, o tempo não permite boas caçadas.

04.JANEIRO

A dormida na zona do Vimieiro continua com muitos pombos. Também bastantes pombos na zona de Mora. Caçadas razoáveis na zona de Monforte e Rosmaninhal.

Em Espanha, os pombos começaram finalmente a aparecer nas dormidas da Serra de São Pedro. Já chegam pombos a Cória e Torrejon.

11.JANEIRO

Os pombos que dormiam na maior dormida na zona do Vimieiro deslocaram-se, embora continuem na zona da Serra de Ossa, mas mais para sul.

Em Espanha, a maior dormida na Serra de São Pedro continua sem pombos, embora estes andem pela serra em grandes quantidades, dormindo em locais que já não frequentavam há alguns anos, como a dormida de Campo Macias. Pombos também na região de Cedillo.

18.JANEIRO

Situação sem grandes alterações. Os pombos continuam sobretudo na zona entre Mora e Estremoz, com uma concentração bastante grande na zona do Vimieiro. Os pombos que se encontravam no Rosmaninhal e Monforte da Beira deslocaram-se para sul / sueste.

Em Espanha encontra-se um grupo significativo na zona sul da Serra de São Pedro a dormir no montado. A dormida do Rincon continua sem pombos.

25.JANEIRO

Os pombos em Portugal já são muito poucos. Muito se deve ao contínuo violar das dormidas por autênticos criminosos. O que se tem passado nas dormidas em torno da Serra de Ossa é indescritível.

Caçadas muito fracas no fim-de-semana. Alguns pombos entre o Crato e Idanha. Bandos muitos dispersos.

Em Espanha, o maior contingente encontra-se em duas dormidas na Serra de São Pedro, embora não haja pombos a dormir naquela que é tradicionalmente a maior dormida, o Rincón de Azagala.

Quantitativos interessantes na zona de Córdova, embora substancialmente menos do que no ano passado nesta altura do ano.

01.FEVEREIRO

Ano muito mau. A situação mantém-se sem grandes alterações. Pombos em pequena quantidade e muito dispersos, permitindo apenas algumas pequenas caçadas. A maioria deles já se deslocou para Espanha em direcção a França. A concentração na Serra de São Pedro já diminuiu substancialmente. Pombos em Salamanca.

08.FEVEREIRO

Em Portugal apenas pombos soltos e pequenos bandos, aqui e ali. Algumas caçadas pontuais em zonas onde os poucos pombos que permanecem têm querença. A maior concentração encontra-se na Serra de São Pedro em Espanha e mais para nordeste já em direcção a França (Placência, Ávila e Salamanca). Em Córdova (Valle de los Pedroches) também quantitativos interessantes.

15.FEVEREIRO

Mau tempo no sábado e muito vento no domingo, dificultando a caça com vara. Boas caçadas na zona do Rosmaninhal, à passagem.

Muitos pombos na Serra de São Pedro, o melhor ano entre os últimos. Pombos a dormir no montado e em algumas das dormidas tradicionais. Boas caçadas, sobretudo à passagem.

22.FEVEREIRO

No passado sábado terminou mais uma época de caça pombos, pelo menos em Portugal, já que na Extremadura espanhola se caça até ao final do mês. Foi um ano sofrível, sobretudo para a maioria. O tempo, que não começou muito adverso em NOVEMBRO, piorou fortemente, pelo menos para esta caça, oferecendo muito poucos dias de sol com vento norte, o que dificultou muito o exercício desta nossa paixão.

Dada a pouca quantidade de bolota de sobro, os pombos mantiveram-se muito pouco tempo na nossa zona costeira, entre Setúbal e Grândola, tendo, numa fase inicial, aí dormido, mas sempre a saírem para ir comer no azinho, sobretudo para leste, mas também para sul, embora em muito menor grau. Pouco tempo depois dirigiram-se definitivamente para nordeste, em direcção primeiro a Évora e depois à zona da Serra de Ossa, tendo aí permanecido durante algum tempo, dormindo principalmente na zona do Vimeiro. Esta zona apresentou este ano uma quantidade muito razoável de bolota, o que permitiu aos pombos aí permanecerem por mais de um mês, não se mantendo mais tempo devido à sistemática e vergonhosa violação das dormidas na zona. Se a dormida do Vimieiro foi relativamente poupada (embora se fale de várias investidas nocturnas), a dormida na própria Serra de Ossa e também a do Freixo, são literalmente atacadas logo que os pombos aí chegam.

Os torcazes, após serem escorraçados das dormidas referidas, seguiram para a serra de São Pedro, na Extremadura espanhola, local onde, nesta data, se encontram em grande número.

A violação das dormidas é um assunto que tem de ser abordado pelos que, como nós, têm a paixão de caçar com negaça os pombos torcazes, sendo a sede ideal para isso uma associação de todos os que comungam deste gosto. Mais do que uma associação de negaceiros, esta deverá ter como principal objectivo a protecção do pombo torcaz. Esta associação deverá interagir com outras congéneres, pelo menos de Espanha e França, pois não será possível a protecção desta espécie se tal não for tratado de forma integrada, dada a característica migratória desta ave.

 

2014-2015

27.OUTUBRO

Já chegou ao Pinheiro Francês um quantitativo muito interessante de pombos. No entanto, assistimos já a uma movimentação de alguns destes pombos na direcção das Alcáçovas. No domingo caçadas entre os 20 e os 40 na zona do Sabugueiro e da Flor da Rosa (Crato).

29.OUTUBRO

Os pombos que se encontravam no Pinheiro Francês desceram. Muitos pombos em Sta. Margarida do Sado, Ferreira e Canhestros. Estendem-se até Alvalade do Sado.

30.OUTUBRO

Grande entrada de torcazes para o Pinheiro. As reservas da zona abrem no domingo. Boas caçadas no Torrão.

31.OUTUBRO

Os pombos que dormem nas dormidas de Sta. Margarida do Sado (muito bem compostas) deslocam-se para a zona do Torrão para comer. Ontem, boas caçadas em Montemor e na zona do Torrão, especialmente nesta última com caçadas a mais de 200.

03.NOVEMBRO

As grandes concentrações de pombos encontram-se a dormir na zona do Pinheiro Francês e Sta. Margarida do Sado. Bastantes pombos no Torrão, Alvito, V. N. Baronia e Alcáçovas.

Ontem, domingo, abriram os coutos na zona de palma. Caçadas no Pinheiro Francês melhores que no ano passado, com algumas portas a superarem os 100 pombos. Restantes coutos na zona de Palma mais fracos. Algumas boas caçadas na zona do Torrão.

07.NOVEMBRO

Ontem abriram a maioria dos coutos na zona de Sta. Margarida do Sado, local onde continua a maior concentração de torcazes. Bastantes caçadas na ordem das várias dezenas e algumas mesmo acima da centena. Resultados muito abaixo da expectativa na zona de Palma e do Pinheiro Francês. Os pombos desceram de forma muito clara e já chegam a Ourique.

10.NOVEMBRO

O maior núcleo de pombos continua na zona de Sta. Margarida do Sado. As reservas da zona que ainda não tinham aberto fizeram-no ontem. Bastantes caçadas na ordem das dezenas, tendo alguma passado a centena. Caçadas sofríveis na zona de Palma. Os pombos que chegaram no sábado ao Pinheiro Francês, saíram no domingo e não voltaram. Pombos na zona de Garvão, Panóias e Ourique. Muito boas caçadas na zona de Ferreira e Figueira de Cavaleiros.

Ontem e, sobretudo, hoje, mais uma grande passagem nos Pirenéus, com mais de meio milhão de pombos. Cá os esperamos…

12.NOVEMBRO

O mau tempo e a pouca comida de sobro fazem com que os pombos desçam cada vez mais. Muitos pombos em Aljustrel, Ourique, Garvão, Torre Vã e Panóias.

14.NOVEMBRO

Ontem, 5ª feira, contra quase todas as espectativas, algumas boas caçadas no Pinheiro, com pombos que entraram do norte na quarta-feira, os mesmos que terão passado na zona de Sabugueiro / Arraiolos na segunda e na terça. O maior núcleo continua a sul, com bastantes pombos em Aljustrel, Ourique, Alvalade, Garvão e Panóias. Os coutos na zona de Alvalade que ainda não abriram vão fazê-lo no próximo fim-de-semana. Ontem chegaram pombos em quantidade não desprezável à zona de Ferreira.

Tal como em Portugal, em Espanha apenas se fazem caçadas razoáveis muito a sul, concretamente na zona a norte de Huelva.

17.NOVEMBRO

Situação com poucas alterações. O mau tempo mantem os pombos muito a sul, entre a serra algarvia e a linha que vai de Sta. Margarida do Sado, passando por Figueira de Cavaleiros e Ferreira do Alentejo. Na zona mais a sul, estes pombos mantêm-se bastante dispersos possivelmente devido ao sistemático e criminoso violar das dormidas durante a noite. Caçadas muito fracas a norte da zona referida, incluindo toda a zona de Alcácer / Palma. As melhores caçadas foram a sul, em quantitativos na ordem das dezenas. O tempo nublado, sobretudo à tarde, com os pombos muito altos e difíceis, não permitiu mais.

20.NOVEMBRO

Situação com poucas alterações. A sistemática violação das dormidas a sul da Serra de Grândola, fez com que os pombos subissem um pouco. Muitos pombos em Sta. Margarida do Sado, Torrão, Ferreira do Alentejo, Figueira de Cavaleiros e Barragem de Odivelas. Muitos pombos também na dormida grande da zona do Pinheiro / Palma. Bandos altos, de entrada, a passar na zona do Vimieiro e Sabugueiro. Caçadas genericamente muito fracas devido ao mau tempo.

 24.NOVEMBRO

O tempo do quadrante sul continua a não permitir grandes alterações. Muitos pombos a dormir no Pinheiro e em Sta. Margarida do Sado. O maior contingente encontra-se a comer a muito a sul, em montados de azinho. Caçadas sofríveis devido ao mau tempo, com chuva e nevoeiro.

27.NOVEMBRO

Hoje, mais torcazes passaram os Pirenéus. Grandes bandos, perto da costa, sobrevoaram Urrugne e Irún em direcção à península. Não foi possível conseguir qualquer estimativa relativamente a números.

Por cá, poucas alterações. Pombos maioritariamente a sul, muitos na zona de Panóias. Muito dispersos. Um número considerável de pombos na zona do Pinheiro, com caçadas razoáveis, tendo em conta a meteorologia. Caçadas fracas em Sta. Margarida. Notícia de pombos na zona de Vale de Guizo e também em Canhestros. Alguns pombos na zona de Viana do Alentejo. Há também um núcleo de pombos na zona de Mértola e Azinhal que se estendem até Paymogo, em Espanha.

Também em Espanha, bastantes pombos na zona de Córdova, no Valle de los Pedroches. Trata-se da primeira grande concentração do ano a comer no país vizinho. Como referido, alguns pombos em Paymogo e também na zona de Valência de Alcântara.

Grande concentração (em trânsito) em Salamanca. Tratam-se dos pombos que passaram tardiamente os Pirenéus. Estamos à espera deles

01.DEZEMBRO

Finalmente vento do quadrante norte. Com ele, desde sábado, mas sobretudo ontem e hoje, forte movimentação dos pombos na direcção nordeste. Muitas zonas que tinham pombos desde o início da época estão a ficar desertas. Observações espalhadas por todos os locais onde se caçaram aos pombos no fim-de-semana foram comuns: grandes bandos a movimentarem-se para nordeste sem fazerem caso das negaças. Nada ficou como anteriormente. Vamos ver onde param e onde dormem, pois as grandes dormidas ficaram sem pombos ou, pelo menos, com poucos pombos.

04.DEZEMBRO

A situação não está boa. Depois da arrancada para norte, não ficaram muitos pombos entre nós. Bons quantitativos na zona do Rosmaninhal e Idanha, a norte, e também na zona de Mértola, Safara, e Barrancos a sul. Estes últimos pombos constituem o extremo oeste de um grande núcleo, com quantitativos que não se verificavam há vários anos, que se encontra na zona de Córdova  (Pozo Blanco, Cardeña, Villanueva).

09.DEZEMBRO

A situação continua a piorar. Pombos em quantidade relevante apenas na zona de Barrancos.

Em Espanha, boas caçadas, no sábado, na zona de Coria, na zona norte da Extremadura. No domingo subiram ainda mais. Dormem em grande quantidade na zona de Monfrague. Cordova continua com muitos pombos.

12.DEZEMBRO

Situação sem alterações. Apenas quantidades residuais de pombos em Portugal.

Em Espanha, muitos pombos em Placência e Monfrague. Mais a sul, bastantes pombos a norte de Sevilha. Trata-se do mesmo núcleo que se estende desde Barrancos.

15.DEZEMBRO

A pouca bolota de sobro associada ao apodrecimento da maioria da bolota de azinho não permitem uma situação favorável à permanência dos pombos entre nós. São poucos os relatos sobre a presença de pombos no nosso território. Assim, continuam alguns pombos na zona de Barrancos, a comerem em Espanha, alguns (poucos) pombos na zona do Vimieiro e também alguma movimentação em Marvão, junto à fronteira.

Relatos, por confirmar, da entrada de alguns bandos vindos de Espanha, hoje, na zona de Portalegre.

Em Espanha poucas alterações. Na Extremadura norte, pombos na zona de Coria e Placência. A sul, continuam pombos (menos) na zona de Córdova e a norte da Serra de Sevilha. Estes dormem perto de Monastério e vão comer para norte, já relativamente perto de Badajoz, onde se fizeram algumas caçadas interessantes durante o fim-de-semana.

19.DEZEMBRO

Tudo (ou quase tudo) na mesma. Os pombos continuam quase exclusivamente em Espanha e nos mesmos locais. Coria, Monfrague, Placência e Córdova. Apenas de referir a presença de um contingente numeroso que se encontrava a norte da serra de Sevilha e que se vem aproximando de Badajoz, muito perto da fronteira com Portugal. Esperemos que estas ainda nos possam dar algumas alegrias.

22.DEZEMBRO

No que toca aos pombos, poucas notícias são más notícias. Situação quase sem alterações, relativamente à semana passada. Os pombos entre nós são muito poucos, embora não estejam muito longe. Em concreto, no que se refere a Espanha, para além de duas grandes concentrações nas zonas de Córdova e da Serra de Monfrague, encontra-se um quantitativo muito interessante pouco a sul de Badajoz, em concreto na área de Alconchel e Olivença. Estes, com facilidade poderão entrar em Portugal. De referir ainda que os pombos em Espanha estão a dispersar-se cada vez mais, espalhando-se assim por uma área cada vez maior, o que também poderá permitir que, pelo menos, alguns voltem ao nosso país.

26.DEZEMBRO

Situação praticamente sem alterações. Notícias de alguns pombos na zona do Crato e pouco mais.

29.DEZEMBRO

Provavelmente oriundos do núcleo que se encontrava abaixo de Badajoz, apareceram pombos na zona de Arronches, Barbacena e Campo Maior. Caçadas nos 20/30, no fim-de-semana.

Em Espanha, a situação sofreu poucas alterações. Os pombos continuam em Coria e Moraleja, sobretudo em coutos de caça maior, com muita comida, e onde não se atira. Por esta razão as caçadas não têm sido boas. Na zona de Córdova, o Vale de Pedroches tem muito menos pombos. A possibilidade de caçar todos os dias na Andaluzia origina uma pressão muito grande, obrigando os pombos a mudar.

05.JANEIRO

Dois grandes núcleos, contabilizando mais de um milhão de pombos, ambos em Espanha. Um na zona de Coria, perto de Castelo Branco e a pouco mais de 20 Km da fronteira, outro entre a zona a sul de Badajoz e a zona a norte de Huelva, com especial incidência em Paymogo, muito perto de Mértola e do Parque Natural do Vale do Guadiana.

Em Espanha, aumentou o contingente a dormir na Serra de Monfrague. Continuam muitos pombos na zona de Monastério, a sul de Badajoz, e em Córdova.

12.JANEIRO

Situação sem alterações significativas. Mantêm-se os núcleos reportados há uma semana. Naquelas zonas há muita bolota de azinho e a pressão cinegética é reduzida, o que faz prever que os pombos não se irão movimentar de forma significativa.

Entre nós, os pombos que ainda aparecem serão pouco mais do que os residentes. Um ano para esquecer.

19.JANEIRO

Os pombos que se encontravam em Coria mexeram um pouco com a mudança de tempo. No essencial, espalharam-se um pouco mais. São menos pombos e bandos menores. Algumas boas caçadas em Torrejon del Rubio e Placência.

Por cá tudo na mesma. Os pombos são muito poucos. Alguns pombos em Idanha.

23.JANEIRO

Nos dois últimos dias ocorreram algumas mexidas. Os pombos que se encontravam em Cória, Extremadura espanhola,  espalharam-se mais, originando um aumento dos quantitativos na zona de Idanha-a-nova e Segura. Foram vistos alguns bandos a circularem na zona fronteiriça perto de Arronches.

26.JANEIRO

Entre nós os pombos, salvo alguns pequenos quantitativos aqui e ali, muitos deles constituídos possivelmente por pombos residentes, continuam na zona de Segura / Idanha-a-Nova.

Em Espanha a situação continua sem grandes alterações, embora os pombos estejam cada vez mais espalhados.

30.JANEIRO

O mau tempo fez com que os pombos que se encontravam na zona de Cória se encostassem mais para o “nosso lado”. Bastantes pombos na zona do Rosmaninhal, Idanha-a-Nova e Segura.

02.FEVEREIRO

Com o vento forte de noroeste e de oeste que soprou desde sexta-feira até ontem, os pombos que se encontram em Espanha deslocaram-se maioritariamente no sentido este-oeste, o que originou uma presença maior em Portugal, embora tal se tenha verificado somente a norte. Apesar disso, já se assinala uma presença relevante de pombos na zona de Navalcan – Toledo, ou seja, a uma distância significativamente grande da fronteira.

Boas caçadas na zona do Rosmaninhal no sábado e na zona de Monfortinho no domingo.

 09.FEVEREIRO

Os poucos pombos que ainda estavam entre nós estão a movimentar-se para nordeste, a iniciar o seu trajecto de volta aos países de origem.

Em Espanha, uma boa concentração em Ciudad Rodrigo, Província de Castilla-Leon, onde já não se caça em FEVEREIRO. Pombos ainda na zona de Córdova e na Serra a norte de Sevilha (Andaluzia), e pombos a dormir na Serra de Miravete, a comer em Navalmoral de la Mata e Oropesa (Extremadura).

16.FEVEREIRO

Para a maioria, a caça aos pombos desta temporada já terminou, ou terminará na próxima quinta-feira. Tratou-se de um ano (mais um) para esquecer. Os pombos estiveram entre nós apenas durante o mês de NOVEMBRO, enquanto predominaram os ventos do quadrante sul e a chuva. Com o vento norte e os dias de sol, os pombos saíram na direcção de Espanha, onde encontraram comida, e não mais voltaram.

Em Espanha, a sul, pombos em quantidade na serra entre Sevilha e Badajoz. A norte, vão saindo cada vez mais para o interior, em direcção aos montados da zona de Talavera de la Reina (Navalcan).

 

2013-2014

03.NOVEMBRO

De Espanha vem a informação que os pombos que passaram em grande quantidade os Pirinéus na passada quinta-feira encontram-se ainda no norte, pela zona de Burgos. Na Serra de São Pedro, passam algumas, mas seguem direito a Portugal.

Por cá, vêm-se algumas garfas mas quase sempre na direcção sudoeste, direito à costa. A zona de Palma / Pinheiro já tem quantidades apreciáveis, mas ainda assim, muto abaixo do normal. Sta. Margarida do Sado também já tem alguns torcazes. Alguns no Canal Caveira e na zona de Odemira. As aberturas deverão maioritariamente ocorrer na próxima quinta e, sobretudo no próximo domingo.

07.NOVEMBRO

Lavre, Sabugueiro, Cabeção … bastantes garfas, muito altas, todas direito ao mar. Já não há pombos em quantidade significativa em Espanha. As zona de Palma / Pinheiro / Sta. Margarida estão a ficar muito bem compostas. Aberturas maioritariamente no domingo.

11.NOVEMBRO

Aberturas na maioria dos coutos da zona de Palma / Alcácer e Grândola. Muitos pombos vistos mas a fazer-se mal e outros muito altos. Caçadas genericamente abaixo da expectativa. Apenas quatro portas, junto da maior dormida na zona de Palma, com caçadas acima da centena, o que é invulgar para uma abertura.

Ontem e hoje entrada de bastantes pombos vindos de sul para a dormida na zona de Sta. Margarida do Sado.

Em Espanha, contrariamente ao habitual nesta altura, muito poucos pombos. Algumas caçadas no sábado na zona de Cedillo.

Hoje, grande movimentação em França, com a chegada de muitos pombos vindos do norte, sobretudo da Suécia. Não se encontram muito longe dos Pirinéus, embora a previsão do tempo para os próximos dias não seja boa, o que esperemos não venha a impedir a sua passagem. Esta talvez se dê na próxima sexta-feira, com a ligeira melhoria do tempo, altura em que as contagens já estão encerradas.

14.NOVEMBRO

Zona de Palma / Pinheiro /Alcácer / Grândola / Sta. Margarida do sado com muitos pombos. Caçadas melhores que as que ocorreram no passado domingo. Os pombos já desceram até Alvalade do Sado.

Mesmo com mau tempo, entrada significativa nos Pirinéus. Um quantitativo que se estima superior a 300 000 pombos passou hoje os Pirinéus, como se sabe, já com as contagens encerradas. Esses pombos foram ficar em Ávila.

18 NOVEMBRO

Tal como antecipado pela PAIXÂO AZUL há uma semana, a passagem de torcazes pelos Pirinéus, já iniciada na passada quinta-feira, teve um pico na sexta-feira e prolongou-se até sábado, tendo passado seguramente mais de meio milhão de pombos.

Boas caçadas, com várias acima da centena, no sábado, na Serra de São Pedro, Extremadura Espanhola.

No domingo, mantiveram-se os resultados na zona do Pinheiro Francês. Menos pombos em Palma, Grândola e Sta. Margarida.

Boas caçadas em Alvalade do Sado e pombos a comer na zona do Cercal.

Pombos de entrada na zona de Portalegre e boas caçadas em Ponte de Sor, Aldeia Velha, Galveias e Couço.

Os pombos que dormem em Vendas Novas e que permitiram boas caçadas até 5ªfeira, estão agora a comer no Lavre e em Cabrela.

22.NOVEMBRO

Mais pombos a chegar ao Pinheiro Francês. Deverão ser os que estavam a dormir na zona de Vendas Novas.

Caçadas fracas na zona de Palma / Pinheiro / Sta. Margarida/ Grândola / Alvalade do Sado. Pombos muito agarrados, sem mexerem devido ao tempo muito escuro.

Em Espanha, o contingente que atravessou os Pirinéus na passada semana, encontra-se estranhamente “agarrado” na zona de Burgos, com neve, a comer erva nas semeadas.

25.NOVEMBRO

Situação quase sem alteração. Uma quantidade muito grande de pombos no Pinheiro Francês. No domingo, caçadas muito fracas em toda a zona de Palma e Alcácer. Voltaram pombos em quantidade a Sta. Margarida do Sado (vindos de norte). Alguns pombos mantêm-se em Segura. Relativamente ao resto, poucas referências.

De Espanha, poucas notícias. Apenas de referir que continuam cerca de 300 000 pombos na zona de Burgos, local onde a comida é muito pouca e que se espera venham para sul nos próximos dias.

29.NOVEMBRO

Pombos saíram ontem de manhã da dormida do Pinheiro Francês para sul. Voltaram novamente à tarde, mas, aparentemente, em menor quantidade. Caçadas fracas.

Umas dezenas de milhar de pombos em Sta. Margarida do Sado. Pombos a dormir em Vendas Novas (Bragança).

02.DEZEMBRO

Situação anteriormente reportada sem alteração. A esmagadora maioria dos torcazes continua a dormir na dormida do pinheiro Francês, com a diferença de que agora saem para sul, o que já permitiu algumas boas caçadas ontem nas zonas de caça adjacentes. Continuam alguns pombos a dormir em Vendas Novas. Excluindo as situações referidas, as restantes são apenas residuais.

06.DEZEMBRO

Os pombos continuam a dormir no Pinheiro Francês, embora não tenham dado boas caçadas na zona. Saíram para comer na direcção Casebres e Cabrela onde se fizeram ontem boas caçadas. Menos pombos a dormir em Vendas Novas.

Muito poucos pombos em Espanha, algo que não tem sido normal nos últimos anos em DEZEMBRO.

09.DEZEMBRO

A maioria dos cerca de milhão e meio de pombos que se encontravam na dormida do Pinheiro Francês não voltou ontem à tarde. Bastantes pombos a comer em Odivelas e no Torrão. Pombos em Canha e em Mora. Grandes bandos direcção nordeste sobre Vendas Novas. Muitos pombos ontem à tarde no Couço.

Os pombos que se encontravam em Burgos já desceram. Os únicos pombos que se encontram na Extremadura Espanhola estão na dormida do Rincon (SSP) e são em muito menor quantidade do que é habitual para a época.

16.DEZEMBRO

O pombos continuam a dormir no Pinheiro Francês mas saem para longe para comer. Caçadas más em toda a zona, incluindo Palma. Mantém-se alguns pombos na zona de Sta. Margarida do Sado, especialmente a dormir. Muitos pombos em Vendas Novas e Ciborro. Também já chegaram a Santana do Mato e ao Sabugueiro.

23.DEZEMBRO

Muito menos pombos a dormir no Pinheiro Francês, com caçadas praticamente nulas. Já é perfeitamente clara a movimentação para nordeste, típica de DEZEMBRO. Apesar disso ainda há muito pombos a dormir mais a sul, em Sta. Margarida do Sado. Vão comer para norte.

Muitos pombos a dormir na Bragança, em Vendas Novas. A quantidade de pombos que se encontrava no Sabugueiro tem vindo a diminuir, embora exista um bom quantitativo a comer nas reservas da área de São Pedro da Gafanhoeira. Grandes cordões a passarem na zona de Brotas.

Os pombos já chegaram a Évora Monte e ao Vimieiro. Boas caçadas na zona da Igrejinha, com a dormida cheia.

Em Espanha apenas quantitativos residuais. Excepção para Cadiz, onde se encontra um núcleo numeroso.

27.DEZEMBRO

Tal como tem vindo a ser normal nos últimos anos, neste final de DEZEMBRO os pombos no Pinheiro Francês e em Palma são apenas residuais.

Ontem de manhã muitos torcazes a saírem das dormidas de Sta. Margarida do Sado e a comerem entre esta localidade e Ferreira do Alentejo.

Os pombos que desde NOVEMBRO dormem em Vendas Novas são agora muito poucos. Mantém-se ainda pombos a comer no Sabugueiro.

Muitos pombos na zona da Igrejinha, Évora Monte e Serra de Ossa.

Bastantes pombos a dormir na zona de Foros do Arrão e Montargil. Também já começaram a aparecer na zona de Portalegre.

Relativamente à presença de pombos em Espanha, reportamos agora a sua presença já em quantidade razoável a sul de Badajoz e na zona de Pozoblanco, a norte de Córdova.

30.DEZEMBRO

Os pombos já chegaram em quantidade à zona de Portalegre, Alter do Chão, Arronches, Monforte e Crato.

A Igrejinha que durante algum tempo teve a dormir uma quantidade muito relevante de torcazes ficou vazia no domingo. Esses pombos deslocaram-se para sul e estão agora na zona de Alcáçovas, Casa Branca, Torrão e Ferreira do Alentejo.

Em Ourique apareceram também os primeiros torcazes deste ano.

Relativamente a Espanha, aumentou a quantidade de pombos a sul de Badajoz, com algumas caçadas muito boas. Já apareceram pombos na zona de Valência de Alcântara, muito perto da Serra de São Pedro.

03.JANEIRO

Pressionados pelos ventos do quadrante sul. a grande concentração de pombos em Portugal está muito a sul e relativamente junto ao litoral. Muitos pombos (de novo) em Sta. Margarida do Sado, Ferreira do Alentejo, Alvalade do Sado e Garvão. Ontem, devido ao mau tempo, as caçadas foram naturalmente sofríveis.

Em Espanha, já há bastantes pombos no Rincón de Azagala, a dormida principal da Serra de São Pedro. Têm vindo, nos últimos dias, da zona de Portalegre.

0 6.JANEIRO

Muitos pombos a dormir em Sta. Margarida e a comer na zona de Odivelas / Torrão. Pombos em Ferreira do Alentejo. Muitos pombos a dormir em Alvalade do Sado. Pombos em Garvão (Ourique). Mais para norte, a zona de Monforte também está com um contingente de pombos apreciável.

Em Espanha aumentam os pombos a dormir na dormida principal da Serra de São Pedro (Rincon).

10.JANEIRO

O núcleo principal de pombos deslocou-se mais para norte. Ficaram poucos pombos na zona de Alvalade do Sado e dormem muito menos em Sta. Margarida do Sado. Continuam a comer na zona de Odivelas, Torrão, V. N. Baronia, Alvito, Viana do Alentejo e Alcáçovas. Este núcleo estende-se até Nª. Srª. de Machede. Dormem bastantes na Serra de Valverde.

Em Espanha, tudo na mesma. O núcleo maior continua na Serra de São Pedro, saindo normalmente na direcção de Aliseda.

Salvo pequenas excepções, as caçadas são muito sofríveis. Perante a enorme quantidade de comida existente os bandos continuam muito grandes, pousando normalmente em zonas onde não se caça, permanecendo aí durante todo o dia. Em alguns locais, onde nos dias anteriores à caçada estão pombos em quantidade, logo aos primeiros tiros os bandos saem e não voltam.

13.JANEIRO

Os pombos estão muito dispersos e mantêm-se muito agrupados.

Os torcazes que estavam no dormida de Valverde saíram para sul e não voltaram. Sairam na direcção de Viana.

Com o vento sul ,as dormidas na zona de Sta. Margarida voltaram a encher ontem e, sobretudo, hoje.

Alguns pombos na zona de Monforte e Barbacena.

Em Espanha, a dormida principal na Serra de São Pedro já alberga um grupo bastante numeroso de torcazes. Continuam muito agrupados e vão comer longe na direcção de Aliseda. Já se fazem algumas caçadas na zona se Torrejon del Rubio mais a norte. O vale de Pedroches, a norte de Córdova, local com muita querença e quem tem estado deserto, já permitiu algumas boas caçadas no fim-de-semana.

17.JANEIRO

Os pombos estão muito difíceis este ano. Continua um bom contingente na zona de Ferreira, Torrão, Odivelas, Alvito, V.N. Baronia. Ontem, vindos de sul, voltaram mais alguns a dormir na zona de Sta. Margarida do Sado.

Continuam pombos em Barbacena e Monforte, sobretudo a comerem em aparcamentos de gado.

20.JANEIRO

O vento rijo de Noroeste veio animar aqueles que puderam caçar em zonas onde se encontravam há já algum tempo os pombos, quase sem serem tocados. Não só os bandos grandes se partiram quase completamente, como aqueles voavam à altura das copas das árvores. Nos casos onde fez menos vento ou quando o vento diminuiu um pouco a partir das 14/15 h, também se faziam muito bem às negaças, sobretudo às varas verticais (sobe-e-desce). Tudo isto se traduziu num dia muito bom de caça aos pombos.

Caçadas boas (ou muito boas, com mais de 100 pombos) em Sta. Margarida do Sado, Canal Caveira, Figueira de Cavaleiros, Ferreira do Alentejo, Viana do Alentejo, Torrão, V.N. Baronia, Sta. Susana e Serra de Portel.

Em Espanha, os pombos saíram da dormida do Rincon, onde ficou apenas uma quantidade residual. No domingo, boas caçadas mais a sul, na zona compreendida entre Puebla Obando, Nava de Santiago e o Parque de Cornalvo.

27.JANEIRO

Mais um fim-de-semana sem grandes alterações. Para além dos pombos que se encontram dispersos, devido ao excesso de comida, o maior núcleo movimenta-se relativamente pouco. Este ano “a lande tem mais força do que o vento“. Os pombos continuam em Sta. Margarida do Sado (sempre), Ferreira do Alentejo e Figueira de Cavaleiros. Desceram também um pouco mais antes do fim-de-semana até à zona de Alvalade do Sado (novamente), tendo mesmo chegado no sábado a Garvão, perto de Ourique.

No domingo as caçadas forma genericamente más, devido ao tempo enublado, que fez com que os pombos não entrassem de maneira nenhuma às armações.

Em Espanha as coisas também não correm bem. Contrariamente ao que é normal para a época, o único núcleo relevante encontra-se a dormir a sul da Serra de São Pedro, na dormida de Vale de La Torre. Tal como cá, os pombos procuram apenas as zonas de sobro para comer. Algumas caçadas razoáveis na zona de Puebla Obando no sábado.

31.JANEIRO

O núcleo principal mantem-se a dormir em Sta. Margarida do Sado e sai para nordeste / leste, para comer, direcção Ferreira do Alentejo (boas caçadas) e Odivelas. Algumas boas caçadas também na zona do Vimieiro e na zona entre Monforte e Baracena.

3.FEVEREIRO

Ontem boas caçadas na zona de Figueira de Cavaleiros / Ferreira do Alentejo. Os pombos, que dormiam em quantidade na zona de Sta. Margarida do Sado, saíram pela manhã para sul e voltaram muito menos. Estes pombos deram algumas boas caçadas mais para sul (Canhestros, Fornalhas, Alvalade). Uma boa quantidade de pombos dorme na zona do Vimeiro, sobretudo (mas não só) nas Romeiras.

10.FEVEREIRO

Sem grandes alterações. Muitos, mesmo muitos, pombos na zona entre Sta. Margarida do Sado e Ferreira do Alentejo. Com excepção destes, não considerando algumas pequenas concentrações residuais “aqui e ali”, há apenas um núcleo digno de registo na zona do Vimieiro.

17.FEVEREIRO

Novamente boas caçadas (mais uma vez) na zona entre Sta. Margarida e Ferreira do Alentejo. A zona do Vimieiro ficou sem pombos.

 

2012/2013

31.OUTUBRO

A maioria das herdades na zona de Palma e Alcácer, apresentam quantitativos que sem serem excepcionais, já se podem considerar satisfatórios. A maioria das reservas na zona vai abrir no dia 1, amanhã.

A zona de Grândola / Sta. Margarida do Sado também tem já muitos pombos. A zona de Sta. Margarida do Sado e a zona de Alvalade do Sado estão cheias de pombos. Aparentemente a maior concentração que, nesta altura, costuma estar na zona de Alcácer do Sal e Palma, deslocou-se este ano um pouco mais para sul.

Há muitos pombos na zona de Portalegre / Alter-do-Chão. Estão a deslocar-se para sudoeste, direito à costa, para se juntarem com os que já lá se encontram.

01.NOVEMBRO

Passaram quantitativos relevantes na zona do Sabugueiro. As aberturas na zona de Alcácer e Palma correram abaixo do esperado.

03.NOVEMBRO

Os pombos, que se encontravam na zona de Sta. Margarida do Sado, deslocaram-se mais para norte, chegando em quantidades significativas à zona de Palma e Monte Novo.

04.NOVEMBRO

Dia com muita chuva e impróprio para caçar. Caçadas abaixo do normal para a época em Palma / Pinheiro / Monte Novo, embora algumas delas com bons números. Aberturas sofríveis na zona de Sta. Margarida do Sado. Informações (por confirmar) sobre caçadas interessantes na zona de Montemor e Pavia. Ferreira do Alentejo e Alvalade do Sado (por abrir) com bastantes pombos.

08.NOVEMBRO

Boas caçadas na zona de Alcácer / Monte Novo / Pinheiro. Foram vistos muitos pombos, havendo locais onde todo o dia passaram em contínuo. Também tivemos notícia de boas caçadas entre Lavre e Montemor e ainda na zona da Serra de Ossa. Há também pombos em números muito significativos na zona de Sta. Margarida do Sado. Alvalade do Sado continua com bastantes pombos, esperando-se boas caçadas no próximo domingo, dia em que irão ter lugar várias aberturas na zona.

11.NOVEMBRO

Muito boas caçadas na zona de Montemor. Também se fizeram caçadas muito boas em Sta. Margarida do Sado, com a principal dormida completamente cheia, albergando possivelmente o maior contingente de pombos. Já se caçaram torcazes um pouco por todo o lado, confirmando o excelente ano que estamos a ter. De referir também que os torcazes já chegaram a Ourique em quantidade muito apreciável. Algumas das reservas da zona irão iniciar a actividade no próximo domingo.

18.NOVEMBRO

Boas caçadas na zona de Sta. Margarida do Sado, Alvalade do Sado e Pinheiro. A dormida na Aniza tem muitos pombos que se deslocam para sueste para comer. A zona de Odivelas está também muito bem e os montados logo abaixo de Ourique estão cheios.

A dormida do Rincón de Azagala, na Sierra San Pedro, alberga um número da ordem dos 800 000 torcazes.

Tivemos também informação de que na passada semana terá havido uma outra grande passagem nos Pirinéus, já depois de encerradas as contagens.

22.NOVEMBRO

Os pombos começam a ir ao azinho. Caçadas muito boas a sul de Ourique. A dormida da Aniza em Sta. Margarida do Sado continua com muitos pombos, embora a comerem mais a sul. Algumas caçadas razoáveis na zona Palma/Pinheiro, mas com números a diminuirem de forma clara, apesar da dormida nesta última continuar com bastantes pombos.

Houve uma entrada impressionante de pombos na dormida do Rincón.

25.NOVEMBRO

Os torcazes estão a agrupar-se, tal como é típico no mês de DEZEMBRO. Neste momento, existem três grandes concentrações de pombos: dormida da Herdade do Pinheiro, dormida da Aniza (Sta. Margarida do Sado) e Ricon (Sierra San Pedro – Estremadura Espanhola). Em qualquer destes locais os quantitativos são muito grandes. Apesar disso, devido ao mau tempo, as caçadas do passado fim-de-semana foram muito fracas.

Para além dos núcleos referidos, estão alguns pombos na zona do Crato e ainda na zona de Évora Monte e Vimieiro.

29.NOVEMBRO

Muitos pombos em Sta. Margarida do Sado, com caçadas muito boas. Bastantes pombos a dormir no Pinheiro.

Desde o Domingo 25 de NOVEMBRO que os pombos se encontram de forma repartida nas diferentes dormidas na SSP, deixando de estar maioritariamente na dormida do Rincón.

02.DEZEMBRO

Com o vento norte, os pombos começaram a subir. Tal como vem sendo tradição no início de DEZEMBRO, já estão na zona da Serra de Ossa. A Serra de São Pedro, na Estremadura Espanhola, concretamente nas dormidas de Villa Nueva e Campo Macias, já têm muitos pombos. A dormida da Aniza, em Sta. Margarida do Sado, continua com um bom quantitativo de torcazes. Pelo contrário, a dormida da Herdade do Pinheiro tem muito menos pombos. Boas caçadas na zona de Sousel.

06.DEZEMBRO

Mesmo com o mau tempo, boas caçadas na zona da Igrejinha, Vimieiro e Azaruja.

09.DEZEMBRO

Os pombos começam a andar algo dispersos. Algumas boas caçadas na zona do Vimieiro. Continuam a existir bons quantitativos na zona de Sousel e Crato. Bastantes pombos em Cedillo, Espanha, e também uma quantidade significativa na Serra de San Pedro.

Desde hoje que a dormida de Rincón de Azagala e Pajonales começou a ter novamente muitos pombos, derivado de uma entrada muito importante vinda de Portugal.

12.DEZEMBRO

Desde segunda-feira que chegam muitos pombos à dormida do Rincon, na Serra de San Pedro, Extremadura espanhola. Também estão muitos pombos a dormir na dormida de Vale de la Torre, perto de Pueblo Obando, na mesma serra, mas mais a sul.

Apesar de a dormida do Rincón ter pombos em quantidade, esta foi excedida pelos quantitativos existentes em Vale de LaTorre.

18.DEZEMBRO

Os pombos continuam em quantidade na dormida de Vale de la Torre, na Serra da San Pedro. Entre nós, o núcleo mais forte encontra-se na zona que vai de Sousel a Portalegre. A dormida das Romeiras continua com muitos pombos. Alguns pombos voltaram a Sta. Margarida do Sado e Ferreira.

20.DEZEMBRO

Grandes concentrações de pombos, normalmente em grandes bandos, como é típico de DEZEMBRO, na zona de Monforte e Crato/Flor da Rosa. A serra de São Pedro, em Espanha, continua também cheia de torcazes.

23.DEZEMBRO

Os pombos mantêm-se na zona de Monforte e Crato. Também continuam em bom número na Serra de São Pedro.

27.DEZEMBRO

Ontem assistimos a uma deslocação maciça dos torcazes para norte. A grande concentração que se encontrava na Serra de São Pedro, na Extremadura Espanhola, subiu para a zona de Cedillo e Salorino. Não são boas notícias para nós…

Por cá, os pombos continuam a dormir em quantidade na zona do Crato / Flor da Rosa.

30.DEZEMBRO

Mantém-se a situação anteriormente relatada. Os pombos continuam em grande número na Serra de São Pedro. Subiram para norte e dormem no Rincón, a dormida grande.

03.JANEIRO

Apareceram pombos em razoável quantidade em Portalegre e na zona da Serra de Ossa.

06.JANEIRO

Boas caçadas na zona da Igrejinha. A maior concentração de pombos continua a dormir no Rincón, Serra de São Pedro, Extremadura Espanhola, e saem para comer a norte. Muitos pombos na zona de Cedillo, perto da fronteira com Portugal.

07.JANEIRO

Bastantes pombos na zona a norte de Huelva, perto da fronteira com Portugal. Este núcleo estende-se até à zona de Mértola.

13.JANEIRO

Poucas alterações à situação anteriormente relatada. Pombos a norte de Huelva perto da fronteira com Portugal (Paymogo), na zona de Mértola e Corte Pinto. Pombos a dormir no Rincón, na serra de san Pedro. Boas caçadas perto de Badajoz (em Villafrancos). Por cá continua muito sofrível. Alguns pombos entre Vimieiro e Extremoz.

17.JANEIRO

No essencial, mantém-se a situação anteriormente reportada. Algumas boas caçadas na zona de Mértola. A maior concentração de torcazes encontra-se em Espanha, entre Badajoz e Huelva.

20.JANEIRO

O mau tempo de sábado, com vento muito forte, fez mexer um pouco os pombos, mas na maioria dos casos, na direcção que, a nós portugueses, menos interessa. Assim, apareceram torcazes em grande quantidade na zona de Villanueva, a norte de Córdova, já bastante longe da fronteira com Portugal, tornando muito provável o seu retorno. Também apareceram pombos já na zona de Torrejon el Rubio, perto de Monfrague, zona a que, normalmente, corresponde um ponto de não retorno, no que se refere ao nosso país. Por cá, no sábado, dia 19, muito pombo a mexer na zona do Vimeiro e Serra de Ossa. Circularam por toda essa zona, possivelmente pela dificuldade de se manterem poisados. No domingo já foram vistos muito poucos por essa zona. Alguns pombos a circular na zona do Escoural. Também algumas boas caçadas na zona de Mértola.

24.JANEIRO

Os torcazes já estão em quantidade na Serra de Miravete, Parque Nacional de Monfrague, em Espanha a cerca de 150 Km de Portugal. Por cá, apareceram pombos em quantidade razoável na zona do Rosmaninhal / Monfortinho.

27.JANEIRO

A maior concentração de torcazes encontra-se em Espanha na zona entre Turrejon el Rubio, Monroy e a Serra de Miravete, Parque Nacional de Monfrague. Em Portugal há cada vez menos pombos. Aqueles que se encontravam na zona do Vimeiro, já são em número muito menor. O mesmo se aplica aos que se encontravam na zona de Mértola. Alguns pombos na zona de Castelo Branco.

31.JANEIRO

Os pombos movimentaram-se ainda mais para norte. Com as altas temperaturas registadas e com o bom tempo verificado, vários bandos (ainda pequenos) começaram a passar os Pirinéus, na direcção de França. Mesmo os torcazes que se encontravam na zona a norte de Huelva, até à fronteira com Portugal, zona de Mértola até Barrancos, estão a subir. A maior concentração continua na zona de Turrejón El Rubio e tem estado a aumentar.

03.FEVEREIRO

Por cá, razoáveis quantitativos de pombos na zona de Idanha-a-Nova (Segura / Rosmaninhal), local onde se encontra a maior concentração. Houve também alguma movimentação de bandos desde a zona do Alqueva (algumas boas caçadas), passando por Reguengos e subindo o Djebe até à zona de Sta. Susana (Redondo). Boas caçadas na zona de Safara.

Em Espanha não houve grande alteração à situação anteriormente reportada. Alguns pombos a sul de Badajoz. Voltaram também em quantidade à Serra de Aracena.

07.FEVEREIRO

Os pombos já se movimentam soltos ou em pequenos bandos, o que facilita os abates. Continuam na zona de Idanha-a-Nova (Segura / Rosmaninhal), local onde se verificaram caçadas muito boas. É neste local que se encontra a maior concentração. Verificaram-se ainda boas caçadas na zona de Safara / Barrancos que se estenderam à zona a norte de Mértola.

10.FEVEREIRO

Situação anterior sem grandes alterações. Os pombos continuam na zona do Rosmaninhal e na zona de Safara / Barrancos.

 

 

 

 

Nov 13

O AGUARDO NA CAÇA AOS POMBOS TORCAZES COM VARA

 INTRODUÇÃO

Embora possa parecer uma questão menor, na realidade, quem pretende ter algum êxito na caça aos pombos necessariamente terá que dominar a técnica de construção dos aguardos, sejam eles naturais ou artificiais. Não é possível fazer uma boa caçada se o negaceiro e restantes companheiros nas madrinhas não estiverem muito bem tapados. É determinante que os “muitos olhos” de um bando de torcazes em aproximação não possam vislumbrar na nossa armação uma ameaça.

A construção de um aguardo de qualidade, utilizando apenas matéria natural, ramagens ou mato, muito utilizada no passado pelas diferentes gerações de pombeiros, por ser difícil e demorada, é hoje quase uma arte, ficando, por isso, fora do âmbito deste artigo.

Embora a construção de um aguardo seja matéria relativamente simples, não é bem dominada por muitos e espero que mesmo os que são já experientes neste tipo de caça possam aprender algum pormenor útil nas linhas que se seguem.

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OBJECTIVO

O aguardo deverá permitir encobrir os caçadores durante todo o lance de caça, isto é, desde que se começa a chamar os pombos até ao seu abate. Para isso deverá estar completamente mimetizado com o ambiente que o rodeia, mas também deverá permitir ao negaceiro visualizar os torcazes em aproximação sem os alertar, enquanto trabalha com as varas e, eventualmente, procede ao lançamento de pombos cegos ou espanholas. O aguardo deverá ainda permitir que os disparos se façam com a necessária visibilidade e com o atirador sem estar em equilíbrio precário, de modo a não aumentar, desnecessariamente, os tiros errados.

Por outro lado, o aguardo também deverá ser instalado de forma relativamente rápida e deverá resistir ao vento, sem varejar ou mesmo cair. Normalmente o aguardo principal da armação deverá permitir a ação de um negaceiro e de uma espingarda, devendo os das madrinhas (uma  ou duas) albergar apenas um ocupante com espingarda.

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                                                            Completamente mimetizado…

 LOCALIZAÇÃO

A localização do aguardo principal necessariamente deverá ocorrer, com o vento pelas costas, sob a copa de um sobreiro ou azinheira, mais ou menos recolhido, consoante a época do ano. Importa sempre ter em conta que é necessário poder atirar em condições de não errar, mas também não podemos ficar demasiadamente expostos sobre a cabeça, pois corremos o risco de espantar os pombos. Este aspeto é ainda mais relevante quando os pombos voam altos e muito agrupados, normalmente entre o final de Novembro e o início de Janeiro. Nesta altura do ano, uma armação que possua os aguardos demasiadamente salientes relativamente às copas, visando facilitar os tiros, pura e simplesmente é muito pouco eficaz, provocando a fuga da maioria dos bandos. Nesta fase, os bandos quando entram à armação, fazem-no rodando várias vezes em espiral sobre o local onde estamos armados, pelo que se não nos encontrarmos devidamente tapados por cima e por trás, empreendem imediatamente a fuga.

Embora se observem os mesmos princípios do aguardo principal, no que toca ao equilíbrio entre a facilidade do tiro e a necessidade de o caçador se encontrar completamente dissimulado dos bandos a entrar à armação, a localização das madrinhas é muito variável, tendo a ver essencialmente com dois aspetos: saída dos pombos e qualidade do atirador. A maneira mais trivial consiste em colocar uma madrinha perto do aguardo principal, na linha de saída dos pombos, também de costas para o vento. Embora menos agradável, por não permitir disfrutar de igual modo os lances, sobretudo para um bom atirador, também é muito eficaz colocar a madrinha de costas para a entrada dos pombos, i.e. virada para o aguardo principal, também na linha de saída dos pombos. O caçador ou caçadores que se encontram nas madrinhas devem sempre aguardar pela indicação do negaceiro para realizar o disparo. Alternativamente, no caso de se encontrar uma arma no aguardo principal, deverá ser este a realizar o primeiro disparo.

ESTRUTURA

No essencial, um bom aguardo é suportado por uma estrutura metálica, preferencialmente em ferro, para lhe dar estabilidade e para resistir melhor em dias de vento. Essa estrutura é coberta por um pano camuflado, sendo todo o conjunto, posteriormente, coberto por uma rede camuflada.

O acabamento é feito através de ramagens colocadas sobre a rede camuflada de modo a que tudo fique completamente mimetizado com o ambiente circundante. A rama deve ser colocada com o cuidado de deixar virado para o exterior a folhagem mais escura e sem brilho, tal como ocorre no coberto vegetal que nos rodeia.

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ALTURA

Os aguardos suportados por uma estrutura metálica, em ferro, permitem fazer variar a sua altura até, normalmente, um máximo de 1,80 m. Esta possibilidade é determinante para um ajustamento perfeito, que deverá ser feito considerando a altura dos olhos do negaceiro. Deste modo este pode olhar até ao horizonte, sobre o aguardo e através das ramas que se encontram colocadas no topo, sem se expor em demasia a ser visto.

Embora, do nosso ponto de vista, todos os caçadores que se encontram na armação devessem também proceder da mesma forma, aconselhamos que, pelo menos o negaceiro possua na cara uma rede camuflada que vai impedir que seja visto a grande distância pelos torcazes. Com alguma atenção, verificamos que a cara contrasta bastante com o meio envolvente à armação e, se isso é evidente para nós, o que não acontecerá com os pombos, que têm uma acutilância visual muito superior à nossa.

Existem já redes no mercado que são muito ergonómicas e que “nem as sentimos” quando estamos em ato de caça. Não duvidamos que esta constitui uma mais-valia sobretudo porque, desde que não se façam movimentos bruscos, podemos olhar sobre o aguardo com muito mais confiança em não sermos vistos, algo muito importante, tanto para o negaceiro como para o atirador.

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Rede facial camuflada

MANOBRA DAS VARAS

Como todos sabem, o negaceiro atua as varas a partir do aguardo através de fios de comando. A operação destes fios pode ser feita de diversas formas, no entanto aquela que nós praticamos e que mais aconselhamos consiste em traccionar os fios, passando-os por aberturas no pano do aguardo. Estas deverão estar à altura das mãos, de modo a que o negaceiro possa trabalhar sem ter que se baixar, possibilitando seguir os pombos em todos os momentos ao longo do lance, sempre com os olhos à face do limite superior do pano ou da rama.

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Abertura para passagem do fio 

DETALHES ADICIONAIS

Resmalho

Muitos caçadores de pombos consideram que o aguardo deve estar colocado à sombra para não ser visto. Embora esta colocação seja desejável, normalmente não é possível, pois é imperativo que a armação esteja colocada com o vento pelas costas. No entanto, sabendo que os bons dias de caça aos pombos ocorrem com sol e céu descoberto, ou seja, no outono e no inverno, com ventos do quadrante norte, então será fácil concluir que estaremos maioritariamente virados para o quadrante sul, com o sol pela cara e não como seria desejável, à sombra. Este facto põe um problema: muitos tiros são feitos em condições precárias devido ao sol.

Existe uma solução que, não sendo perfeita, reduz substancialmente os tiros errados devido ao excesso de luz do sol nos olhos: o resmalho. Este não é mais do que uma vara, com ramagens no topo, colocada na estrutura do aguardo, em posição elevada, de forma a criar sombra nos olhos do atirador. Em vez de ramos há que utilize uma chapa desdobrável, coberta com rede camuflada. É muito eficiente no que respeita ao fim pretendido, mas tem o defeito de poder limitar o swing em tiros a torcazes que cruzem lateralmente a armação.

Colocação do Pano

A colocação do pano camuflado sobre a estrutura metálica deve ser feita até ao chão, para evitar que alguma espanhola que se encontre caída no chão do nosso aguardo possa ficar presa pelos arames da carapuça. Trata-se de algo que, a não ser observado em tempo, se traduz na perda desnecessária de algumas espanholas ao longo da época, por perderem a carapuça.

Arames para fixação de rama

Um pormenor, que ajuda muito a compor rapidamente o aguardo, prende-se com a colocação de arames no topo superior, que vão permitir a fixação expedita de rama, num local onde ela é determinante (ver foto). Acresce ainda que esta rama permite reduzir sensivelmente a quantidade daquela que seria necessária se tivesse-mos de a colocar apenas encostada à nossa estrutura de suporte do aguardo.

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Arame para fixação da rama

 Poleiro para Espanholas

Fixo à estrutura metálica do aguardo, deveremos colocar, à altura da mão, um ou mais poleiros, que permitam aí colocar as nossas espanholas em uso. Isso facilita muito a sua utilização.

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Poleiro para espanholas ou pombos cegos

Espero que estas linhas vos tenham sido úteis.

Boas caçadas.

Paulo Santana

 

Out 29

NEGAÇAS ESTÁTICAS

Introdução

Tanto nas dormidas como nas imediações do local onde estamos a armar, todos nós, caçadores de pombos, já presenciámos grandes aglomerações de torcazes pousados. Nestas situações, com a devida atenção, percebemos que a grande maioria dos pombos se encontram na periferia da rama, pousados na copa de forma quase estática. Se é verdade que alguns levantam de uma árvore para a outra, ou mesmo da copa para o chão se se estiverem a alimentar, a maioria encontra-se normalmente parada, isto é, estáticos.

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FOTO 2 a                                                             Pombos pousados

Pela razão exposta, os pombeiros, no seu afã de montarem uma armação o mais apelativa possível para o seu objecto de caça, os torcazes, de modo a reproduzir com a maior fidelidade possível a situação acima transcrita, desde cedo utilizaram pombos mortos ou, mais tarde, negaças artificiais, para os chamar.

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Pombos pousados no chão a comer

A Caça

Todos os que caçam pombos torcazes sabem que no início da caça, até ao final do mês de Novembro, com os pombos de entrada, é muito mais fácil trazê-los à armação, bastando para isso meia dúzia de espanholas e um ou dois pombos de vara. Nesta altura, não é tão relevante a colocação de negaças estáticas. A partir do início de Dezembro até ao final da caça, acontece o contrário. Só os caçadores com mais técnica conseguem ter êxito.

As grandes concentrações que ocorrem em Dezembro, primeiro, e depois, devido ao facto de já estarem muito atirados, em Janeiro e Fevereiro, fazem com que os torcazes se tornem muito desconfiados, entrando muitas vezes mal à armação. Nesta altura, já viram muitas espanholas e pombos de vara. Importa, por isso, aperfeiçoar a técnica.

Sobretudo em Dezembro mas também nos meses que se seguem, os torcazes procuram, essencialmente, pousar onde se encontram as grandes concentrações de pombos, ao invés de um pombo de vara e uma ou duas espanholas no ar, situação em que o “movimento e a força” da armação são mínimos. É um contra-senso pensar que um bando de mil ou dois mil torcazes, já repetidamente atirados, vai cair com facilidade num local onde se encontram um ou dois pombos a “chamar”. Assim, nestes meses, quem pretenda ter êxito, tem de incrementar o número de pombos de vara, que podem chegar a quatro ou cinco, sobretudo verticais, pois são determinantes para dar movimento ao chamariz, e ainda colocar um número importante (não inferior a dez) de negaças estáticas no chão, se se tratar de zona de comida, ou, de forma muito mais apelativa e com muito melhor resultado, nas árvores em que estamos a armar. São estas que permitem que os torcazes entrem francamente, em grande número, à armação, pois é isso que eles estão habituados a ver nessa altura do ano e não um ou dois pombos isolados.

A técnica

Dependendo do local onde estamos a armar, poderemos optar por colocar negaças estáticas no chão, nas árvores, ou ainda por uma solução mista. O seu número deverá ser o maior possível, devendo depender apenas de uma análise custo benefício, isto é, dado tratar-se de uma tarefa que envolve esforço e dispêndio de tempo, a partir de um certo número, deixa de compensar. Por esta razão importa que a metodologia que utilizamos na sua colocação seja o mais expedita possível.

A maioria das negaças nas árvores deverá estar orientada de bico ao vento e deverá estar posicionada quase verticalmente, pois uma inclinação diferente da que é natural poderá ter o efeito contrário, pois passará a ser semelhante a tudo menos a um pombo torcaz.

FOTO 4 a Negaças na árvore

As negaças

Como já referido, as negaças poderão ser constituídas por pombos torcazes anteriormente abatidos, ou por negaças artificiais.

FOTO 5 a Pombos abatidos

Os pombos mortos têm a vantagem óbvia de não poderem causar o efeito contrário ao desejado, isto é, não espantam, embora, para isso, tenham de ser de muito boa qualidade (não estarem nem desfeitos nem em putrefacção) e têm de ser colocados na posição correcta. Pelo contrário, existem vários aspectos negativos que, no nosso entender os tornam piores que os artificiais:

• Nem sempre são fáceis de obter, pelo menos logo no início da caçada;

• Por vezes temos pombos, mas estão com a plumagem em condições tão deficitária que não podem ser utilizados;

• Degradam-se ao sol;

• São fáceis de colocar no solo, mas muito difíceis de colocar em condições na copa das árvores.

Pela razão exposta, limitamos a sua utilização ao solo, em frente do abrigo, em dias não muito quentes e colocados à medida que os vamos abatendo, em armações próprias, muito práticas, no chão (ver foto).

As negaças artificiais existentes são de diversos tipos, pelo que as desvantagens de umas, tal como as vantagens, não são comuns a todas.

Se pensarmos em pombos de plástico, os mais utilizados, então observamos imediatamente a sua grande vantagem: a facilidade de colocação. Através da técnica que se explica no parágrafo seguinte, podemos colocar dez ou vinte pombos, na copa de uma árvore, em cerca de dez minutos. Esta vantagem é comum a todas as negaças artificiais.

Pela negativa, estes pombos de plástico, para além de perderem a cor facilmente em contacto uns com os outros, também a perdem se estiverem em contacto com água, pelo que basta uma pequena chuvinha, para deixarem de ser semelhantes aos torcazes e não poderem cumprir a sua missão. No entanto a sua pior característica tem a ver com o facto de brilharem muito ao sol, o que faz com que possam facilmente espantar os torcazes. Existe uma versão destes artificiais com uma cobertura aveludada, baça, mas que, para além de serem substancialmente mais caros, perdem essa cobertura com muita facilidade pelas mesmas razões acima expostas.

Recentemente, apareceram umas negaças artificiais em borracha de neoprene que constituem uma enorme melhoria neste campo, vindo mesmo revolucionar a caça com negaças estáticas. Estes artificiais são muito mais resistentes do que os seus congéneres em plástico, não brilham tanto (sobretudo ao fim de algum tempo de utilização) e são fáceis de colocar. Pela negativa apenas de referir o facto de serem um pouco mais caras e um pouco mais pesadas. São indiscutivelmente a nossa opção.

FOTO 6 a

Negaças em neoprene

Com o mesmo objectivo, de referir ainda a existência de pombos embalsamados, montados com uma armação em arame. Seriam de longe a solução ideal se não fosse o seu elevado custo.

FOTO 7 a

Pombo embalsamado

A colocação

Tal como referido, os pombos abatidos vão sendo colocados diante do abrigo de modo a que se assemelhem o mais possível a pombos pousados no solo a comer. Existem duas formas adequadas e práticas de o fazer. Ou são deitados no chão com o pescoço esticado e suportado por uma armação em arame, ou, preferivelmente, são colocados numa armação em arame que os envolve completamente e que permite regular a sua altura ao solo. Este aspecto é muito importante, sobretudo se aquele for muito irregular ou estive coberto por erva ou palha.

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Suporte em arame para posicionar a cabeça

FOTO 9 a

Armação para colocação de pombos abatidos no solo

A colocação dos artificiais na copa das árvores também pode ser conseguida de forma muito prática. Para isso temos de colocar o nosso pombo em neoprene numa armação metálica com um contra-peso (ver figura) e depois colocar o conjunto na copa, pendurado num ramo, através da utilização de uma vara com um tipo de cilindro oco na extremidade (ver foto). Em dez minutos está o trabalho feito. Esta é também a forma de colocar os pombos na copa das árvores.

FOTO 10 a

Suporte metálico para colocação de artificiaiss na copa

FOTO 11 a

Vara extensível para colocação das negaças

Conclusão

Consideramos que a colocação de negaças estáticas permite tornar a nossa armação muito mais apelativa, sendo relevantes ou mesmo imprescindíveis para quem pretende ter êxito na caça aos pombos com vara, sobretudo, a partir de Dezembro.

A armação deverá ser complementada com dez a quinze negaças artificiais colocadas, da forma que foi referida, nas árvores, e ainda, caso possível, com dez ou quinze pombos torcazes, anteriormente abatidos, no chão, em frente do nosso abrigo.

Atrevam-se a experimentar e, tal como nós, vão ficar adeptos duma técnica que funciona tão bem, que muitas vezes os torcazes entram à armação vindos “do nada”, sem que tenhamos dado por eles previamente.

Boas caçadas.

 

Out 03

AS “ESPANHOLAS” COMO COMPLEMENTO DA CAÇA AOS POMBOS TORCAZES COM VARA

INTRODUÇÃO

Embora se trate de uma matéria bem conhecida por muitos, a Paixão Azul entendeu produzir um texto sobre as nossas espanholas, por se admitir poder ter alguma utilidade sobretudo para os que se iniciam na caça aos pombos torcazes. O que aqui é exposto resulta da experiência de muitos anos da nossa equipa, embora, como em todas as questões ligadas à caça aos torcazes, possam existir sempre diversas opiniões, muitas vezes até contraditórias.

 A TÉCNICA

A caça com espanholas, isto é, com pombos encarapuçados constitui uma técnica muito válida, sobretudo como complemento da caça com pombos de vara. Esta forma de caçar consiste no arremesso ao ar de pombos que, estando encarapuçados, são impedidos de ver, o que faz com que, com o adequado treino, eles esvoacem até cair no terreno, dando a sensação aos seus primos silvestres de que se trata de congéneres que levantam da árvore onde se encontra a armação, para pousarem no chão.

O arremesso deverá ser feito com algum cuidado. A mão do negaceiro não deverá aparecer acima do abrigo e a força utilizada no movimento poderá ser variável, em função do voo maior ou menor pretendido. Embora haja quem não faça assim, a nossa experiência aconselha a que o lançamento das espanholas, em quantidade variável, seja feito no início do lance, para chamar a atenção dos torcazes em aproximação, devendo ser evitado o seu lançamento quando já se encontram na proximidade e a dirigir-se à armação, pois, por vezes, devido ao tipo de voo realizado, aquelas causam o efeito contrário, isto é espantam os pombos, sobretudo quando estes já estão muito “escaldados”. Por esta razão, deveremos separar as nossas negaças em função do seu voo: por um lado as de voo largo, que deverão ser as primeiras a ser arremessadas, e por outro, as de voo curto, a utilizar no final. No nosso entender, a utilidade das espanholas tem essencialmente a ver com o chamar a atenção dos bandos de torcazes, desviando-os na nossa direcção, devendo o restante trabalho ser feito apenas com os pombos de vara, bastante mais apelativos e, sobretudo nos dias mais difíceis, menos propícios a espantar os pombos em aproximação.

FOTO 1                                          Espanhola em acção

A quantidade de pombos a utilizar com esta técnica pode ser muito variável. Se, no início da caça, meia dúzia são suficientes, pois não é muito relevante ter mais do que uma espanhola a voar em simultâneo, o mesmo já não acontece em Dezembro, mês dos grandes bandos, onde importa, logo no início do lance, dar movimento à armação, através do lançamento simultâneo de um número mais significativo. Nesta altura do ano, por forma a evitar a sistemática recolha das espanholas lançadas e o cansaço das mesmas, não será de estranhar que o negaceiro trabalhe com vinte ou mais pombos encarapuçados.

Para além de uma coloração da plumagem inadequada, algo de que se falará mais adiante, o defeito mais comum que os pombos encarapuçados apresentam é voar excessivamente alto, subindo muitas vezes na vertical, movimento que é acompanhado de um bater excessivo das asas, e que tem quase sempre como consequência espantar os torcazes em aproximação. Nesta situação, a única forma de impedir que os torcazes se afastem, mas que não funciona sempre, é lançar de imediato várias outras espanholas, dificultando que aqueles se foquem na espanhola que voa na vertical e que normalmente se afasta, passando a estar mais atentos às outras que voam adequadamente nas imediações da armação.

Um outro defeito, menos nocivo e mais fácil de eliminar, tem a ver com o lançamento de pombos que, ou porque não prestam ou porque já estão excessivamente cansados, caem para o chão quase sem baterem as asas. Este movimento não é nada apelativo e só não espanta mais porque tem uma amplitude muito pequena. Os pombos com essa característica devem ser descartados. Se se tratar de cansaço, então devem ser postos de parte durante o resto da jornada.

FOTO 2                                Carapuça artesanal (muito boa e prática)

ACESSÓRIOS

Neste tipo de caça os acessórios são muito parcos. Para além da obrigatória carapuça, pouco mais há a referir. Tem alguma utilidade a utilização de uma caixa com uma tira que permita o seu transporte ao ombro do caçador, para facilitar uma recolha mais eficiente das espanholas no terreno.

FOTO 3                                      Pombo com carapuça

Também é muito útil a utilização de um ou mais poleiros no interior do abrigo, à altura adequada para arrumar muito bem as espanholas “à mão” para o lançamento.

FOTO 4                                      Foto interior no abrigo

Um outro acessório de utilização quase obrigatória consiste numa vara telescópica (com 6 ou 7 m), com um tipo de base ou poleiro na extremidade, utilizada para retirar as espanholas da copa das árvores onde, por casualidade pousaram, o que é frequente,.

FOTO 5

                                                 Vara telescópica

Um dos problemas desta técnica é a recolha dos pombos encarapuçados, após o seu lançamento, não sendo mesmo rara a sua perca pela dificuldade em os localizar. Por esta razão, há quem diminua esse risco através da utilização de um guizo preso á carapuça, que facilita a sua localização devido ao som emitido pela espanhola quando sacode a cabeça ou quando tenta retirara a carapuça com a pata, algo que faz com alguma frequência.

FOTO 6                                              Carapuça com guizo

Também há quem utilize um tipo de sapatas, que impedem que a espanhola consiga ficar pousada nas árvores, pois não lhe é possível agarrar-se aos ramos.

FOTO 7                                                       Sapatas

Embora com vantagens evidentes, os guizos têm o ligeiro inconveniente de poder ser incomodativos quando as espanholas se encontram no poleiro, no interior do abrigo, devido ao som emitido. Por seu lado as sapatas, para além de um pouco caras, obrigam a substituir o poleiro do abrigo por uma base, menos ergonómica para o caçador, por ocupar mais espaço, e menos prática de utilizar, pois as espanholas deixam de estar alinhadas com as costas voltadas para o negaceiro, o que dificulta um pouco o seu manuseamento.

OS POMBOS

Os pombos a utilizar não devem voar demasiado, pois são eficazes apenas quando se encontram a trabalhar nas imediações do abrigo. Podem ser utilizados quaisquer pombos de cor cinzenta, de preferência com pouco negro nas barras das asas. Os pombos com um bom guizo são particularmente bons, pois normalmente voam bem, sem o fazer em demasia, sendo o seu voo acompanhado pelo tão apreciado “guizo”, característico dos pombos de vara tradicionais portugueses.

FOTO 8                                            Pombo nacional

Uma melhoria que pode ser introduzida nos pombos destinados a espanhola é a coloração branca nas asas, similar à existente nos pombos torcazes (ver figura).

FOTO 9                                           Coloração das asas

O ENSINAMENTO

Preferencialmente, o treino deve ser iniciado com pombos ainda borrachos a partir do momento em que dominem bem a técnica do voo, embora possam ser treinados em qualquer idade. Deverão ser escolhidos dias sem vento.

No início, após a colocação das carapuças, pousam-se os pombos num poleiro semelhante ao que vai ser utilizado em acto de caça, até que fiquem calmos nessa condição. Numa das patas deverá ser colocado um piós simples (ver foto). Este deverá estar ligado a um fio com um comprimento da ordem dos 20 m.

FOTO 10                                                     Piós e fio

Após ter decorrido algum tempo de habituação ao poleiro, o treino inicia-se colocando o pombo na palma da mão e fazendo subir e descer a mão, o que faz com que ele bata as asas, devendo ser repetido o processo até que ele esteja familiarizado com o movimento. Posteriormente, larga-se o pombo para o chão desde uma altura da ordem dos 50 cm. Aquele irá esvoaçar e esticar as patas de forma a amortecer a queda. Quando estiver novamente habituado à situação, aumentamos a referida distância para cerca do dobro, repetindo o processo, até que ele poise no chão delicadamente de forma perfeitamente natural. Se em alguma situação o nosso candidato a espanhola fizer intensão de subir, deve ser puxado bruscamente pelo fio, até cair, de modo a que ele entenda que o movimento não deverá ser realizado dessa forma. Com a prática, esta ocorrência indesejada deverá desaparecer rapidamente.

Demorando em cada fase sempre, pelo menos, o tempo que for necessário à adaptação do nosso pombo, vamos aumentando a distância a que permitimos que ele se afaste de nós até ao limite do fio. Nessa altura ele já deverá voar razoavelmente bem e pousar de patas estendidas com suavidade. Então, retiramos-lhe o piós e procedemos ao seu arremesso sem que esteja preso. Se tudo correr bem, deverá estar apto a caçar.

Se não for possível manter alguma regularidade no treino das nossas espanholas, pelo menos teremos que realizar uma ou duas sessões nas duas semanas que antecedem a caça. Se tal não for possível por alguma razão, então, no primeiro dia de caça, os primeiros lançamentos deverão ser feitos utilizando novamente o fio com o piós, embora este procedimento tenha normalmente um preço a pagar na eficácia da nossa armação nesse dia.

FOTO 11

CONCLUSÃO

Temos toda a convicção de que a caça aos pombos torcazes deve ser realizada, no essencial, com pombos de vara. Esta forma de caçar é indiscutivelmente a que se traduz em maiores alegrias, não só pelos quantitativos conseguidos nos abates, como pela forma apaixonante como o chamamento é concretizado. No entanto, consideramos que este tipo de caça pode ser melhorado através da utilização de outros métodos complementares que permitem aumentar o realismo de todo o conjunto que constitui a nossa armação. Referimo-nos não só à colocação de negaças estáticas, em neoprene (preferíveis) ou em plástico, nas árvores e pombos, anteriormente abatidos, no solo, na frente do nosso aguardo, mas sobretudo à utilização de pombos encarapuçados, vulgarmente conhecidos por “espanholas”. Estas, sobretudo se forem utilizados os pombos mais adequados e muito bem treinadas, constituem um auxiliar quase imprescindível se se pretende maximizar os resultados.

Boas caçadas.

Paulo Santana

Jul 16

AS RAÇAS MAIS UTILIZADAS COMO POMBO DE VARA

0. NOTA PRÉVIA

 A equipa da PAIXÃO AZUL, confrontada com um desconhecimento quase total dos caçadores de pombos torcazes portugueses e espanhóis relativamente às características e origem das raças dos pombos de vara companheiros das nossas aventuras cinegéticas na nobre arte de negaçar com vara, tem vindo há já algum tempo a fazer alguma pesquisa em textos, livros e sites internacionais que se debruçam sobre a matéria, para tentar fazer alguma luz sobre o assunto. É o resultado dessa pesquisa que aqui compartilhamos com vocês. De referir que o que aqui se relata poderá em algumas situações não ter o rigor suficiente que o assunto exigiria, mas tal deve-se, por um lado à dificuldade de conseguir informação rigorosa e precisa e, por outro, contrariamente ao que acontece a muitas outras espécies de animais de companhia, à inexistência de padrões de raça relativos a pombos para caça, perfeitamente definidos e aceites por todos, bem como organizações ou clubes de criadores que garantam o rigor desses padrões, como acontece em outras raças de pombos de cor ou forma. A única excepção é o pombo francês Azul de Gascogne, cujas características se encontram bem definidas no livro “Liste des races françaises de pigeons”.

1. INTRODUÇÃO

 A caça aos pombos torcazes com vara constitui uma actividade apaixonante, praticada na Europa pelo menos desde o século dezoito, tendo cada vez mais adeptos no nosso país. Esta actividade, apesar de tradicional, foi recentemente objecto de uma enorme evolução em resultado da adopção de novas técnicas vindas de fora, sobretudo de Itália, que a vieram revolucionar.

 Nos últimos anos, paralelamente com as varas verticais, capazes de projectar as negaças em altura, muito mais apelativas do que as tradicionais, vieram também pombos “italianos de asa lisa” e franceses “azul de gascogne”. Estas raças são particularmente dóceis e muito semelhantes aos torcazes, sobretudo se tiverem a coloração adequada, com riscas brancas sobre as asas, o que permite uma grande visibilidade mesmo a grandes distâncias. Estas são mesmo as únicas raças apuradas com o propósito de servirem de atractivo aos seus parentes silvestres, pelo que, para além da sua cor cinzento-azulado, não possuem as indesejáveis barras negras nas costas. O facto de serem muito dóceis, sobretudo os italianos, facilita o seu treino e o trabalhar em acto de caça.

 Apesar de se tratar de pombos cuja importância diminuiu um pouco com as novas técnicas de negaçar, será ainda feita uma referência aos pombos nacionais, pois continuam a ser dos mais utilizados entre nós, por constituírem uma enorme valia, sobretudo em condições onde o “guizo” possa ter relevância.

2. HISTÓRICO

 Em 1920, surgem as primeiras notícias de um pombo utilizado solto, sem carapuça, na caça aos torcazes. Este pombo que se chamou originalmente Amélia, por ser oriundo desta localidade no centro de Itália, tomou mais tarde o nome de TERNANO, por Amélia se localizar na zona de Terni. Este terá talvez tido a sua origem no cruzamento de pombos domésticos (columba livia) com pombos correio.

 Apesar de ser bastante mais antigo, sendo já então utilizado como chamariz do pombo torcaz, em 1920 é também estabelecido o primeiro standard, passando a ser considerado pombo de exposição, o AZUL GASCOGNE, pombo originário de frança, tendo como antepassado o Biset para os franceses, ou pombo doméstico (columba livia), apurado para se tornar o mais parecido possível com o pombo torcaz. Trata-se de um pombo muito resistente, do qual, contrariamente ao por vezes referido, existe apenas uma variedade.

 No final dos anos setenta, o conhecido caçador e criador italiano Pietro Cepatelli, cruzou o Vermelho Genovês, derivado do Torraiolo, com o francês Azul de Gascogne, para obter o ROSITA, muito semelhante ao francês mas sem barras ou com elas esfumadas e com boa predisposição para o trabalho de caça.

Em 1982, Maurizio Lorenzini, de Casale Marítimo perto de Livorno, no centro / norte de Itália, começa por cruzar o Allodola de Coburg com o Ternano. Em 1986 obteve seu primeiro pombo macho, compacto, sem barras negras. Em 1989 obteve a primeira fêmea. Em 1996 conseguiu fixar em definitivo as características do denominado CASALESE, com tamanho intermédio entre o Allodola de Coburgo e o Ternano. Este pombo tem uma cor uniforme cinza com corpo esbelto e sem barras. Em seguida, introduziu sangue de pombo preto/cinza, para conseguir um pombo cinza mais escuro.

Mais tarde, Ceppatelli, cruzou algumas de suas linhagens francesas com o Ternano, tendo obtido o TENEBROSO, pombo escuro, sem barras, semelhante ao Ternano.

 Em Portugal, sem ser possível localizar no tempo, também a partir do nosso pombo doméstico (columba livia) foi apurada uma raça morfologicamente muito semelhante, mais escura, sem a indesejável mancha branca na cauda, mas com a particularidade de possuir rémiges muito longas, que lhe confere o seu inconfundível guizo, tão apreciado por muitos caçadores portugueses.

3. RAÇAS ORIGINAIS

3.1 POMBO DOMÉSTICO

 O pombo doméstico (columba livia) é um pombo pequeno, com barras negras nas costas que teve origem no pombo da rocha, o pombo mais antigo que se conhece, tendo sido domesticado há mais de 5 000 anos.

columba_livia_tn

Pombo doméstico

3.2 ALLODOLA DE COBURGO

Trata-se de um “pombo de forma”, isto é uma raça apurada essencialmente através de critérios orientados para a forma do pombo. Oriundo da Alemanha, foi descrito pela primeira vez em 1869. Tem diversos padrões no que se refere à coloração. A que mais nos importa é a que se ilustra na foto abaixo, por não ter barras negras, o que o tornou extremamente útil em cruzamentos destinados a eliminar as referidas barras. Foi determinante na obtenção do Casalese, ou seja, no Italiano de Asa Lisa.

allodoladicoburgo Allodola de Coburgo prata, sem barras

4. FRANCESES

4.1 AZUL DE GASCOGNE

Pombo com origem em França, tendo como antepassado o pombo doméstico (Bizet para os franceses). Trata-se de uma raça que foi apurada apenas com o objectivo de ser semelhante ao torcaz, para poder funcionar como chamariz. É um pombo muito resistente e do qual existe apenas uma variedade. Tem o olho laranja vivo, o chamado olho de galo. De referir que, de acordo com o padrão da raça, as barras deverão ser o mais ténues possível, embora não devam desaparecer totalmente.

Azul Gascogne

Azul Gascogne

5. ITALIANOS

5.1 TERNANO

Apesar de ser uma raça de pombos muito antiga, descendendo do pombo doméstico, o Ternano (ou Amélia) mantém toda a relevância pois não só está na origem das raças de pombos de vara mais utilizadas, como, por ser dócil, muito inteligente e fácil de treinar, é reconhecidamente o melhor para utilizar solto. Esta técnica (volantini) é a mais utilizada em Itália, com enorme sucesso.

ternano  Ternano

 Hoje em dia, já se conseguem Ternanos com as asas completamente lisas, isto é, sem barras negras. Estes últimos, embora fujam de forma muito clara daquilo que é o padrão da raça, são utilizados com êxito nas diversas modalidades de caça com vara.

ternano sem barras  Ternano sem barras

Recentemente, os pombos desta raça foram melhorados com a introdução de penas brancas nas asas, numa posição que, sobretudo em voo, permitem aumentar a sua semelhança com o pombo torcaz.

ternano V  Ternano para trabalhar solto ou em ponteira vertical

5.2 ROSITA

Pouco divulgado entre nós, trata-se de um pombo sem barras ou com elas esfumadas, semelhante ao francês Azul de Gascogne, de cor rosada, como o próprio nome indica. Derivou de cruzamentos realizados no final dos anos setenta entre a referida raça francesa e o italiano Vermelho Genovês.

rosita  Rosita

5.3 TENEBROSO

Sempre com o objectivo de conseguir pombos para trabalho de caça o mais semelhantes possível ao torcaz, os criadores italianos juntaram o seu Ternano com o francês Azul de Gascogne tendo conseguido o Tenebroso. Trata-se de um pombo escuro e sem barras semelhante ao Ternano.

Tenebroso  Tenebroso

5.4 CASALESE

O Casalese ou, de forma aportuguesada, o Casalês, foi fixado em definitivo em 1996. Como já foi referido, resultou de uma selecção obtida através do cruzamento do alemão Allodola de Coburgo e do italiano Ternano. Um pouco mais claro do que o Ternano, tem uma cor uniforme cinza, sem barras

Casalese  Casalese

De referir que o gene responsável pela ausência de barras negras nas asas, obtido a partir do Allodola de Coburgo, é, nesta raça, um gene recessivo, isto é, quando cruzamos um Italiano de Asa Lisa com um pombo de qualquer outra raça possuidora de barras negras, mais ou menos atenuadas, como é o caso do Azul de Gascogne, o resultado são pombos com acentuadas barras negras.

A ausência de organizações que fixem o padrão das raças de pombos para caça em Itália fez com que os criadores, na procura de pombos mais semelhantes aos torcazes, cruzassem o Casalese com o Tenebroso, o que resultou numa grande semelhança entre as duas raças. O Casalese tem uma morfologia muito semelhante ao Tenebroso, com a diferença que é um pouco mais claro e com a cauda um pouco mais longa. O Tenebroso, por sua vez, possui uma cabeça mais semelhante ao Ternano.

A raça que em Portugal e Espanha apelidamos correntemente de Italiano de Asa Lisa corresponde de forma indistinta a qualquer uma destas duas raças (Casalese e Tenebroso). O cruzamento entre elas resulta sempre em pombos sem barras negras.

6. NACIONAL

Tal como os seus equivalentes Ternano, em Itália, Bizet, em França, e Pica, em Espanha, a raça nacional teve origem no pombo doméstico, sendo muito semelhante a este. O seu apuramento foi realizado sobretudo no Alentejo, zona onde a caça aos pombos torcazes com vara se encontra mais enraizada, tendo sempre em vista uma aproximação morfológica ao torcaz.

Estes pombos têm hoje uma cor cinzenta azulada, uniforme, possuindo ainda rémiges muito longas, com o objectivo de melhorar o seu guizo. É ainda possível aumentar o comprimento destas penas, se a ave for desguiada no quarto crescente do mês de Junho, de modo a que a sua plumagem fique completa antes do início da temporada de caça. São pombos muito inteligentes e aptos a qualquer modalidade de caça com vara. Pela negativa, possuem as indesejadas barras negras nas asas.

Nacional Branco  Nacional

Jan 03

“ONDA AZUL”

A MIGRAÇÃO DO POMBO TORCAZ

1.INTRODUÇÃO

Em 2012, a entrada de pombos torcazes invernantes na Península Ibérica, excedendo as previsões mais optimistas, fica caracterizada por enormes quantitativos migratórios, unicamente excedidos pelos verificados em 1999, primeiro ano em que se iniciaram as contagens nos Pirinéus.

A migração do pombo torcaz (columba palumbus), desde os seus países de origem até à Península Ibérica, é uma matéria apaixonante, ainda envolta em dúvidas e mistérios para os aficionados portugueses, motivo que levou a Paixão Azul a publicar um artigo reunindo toda a informação que entendeu relevante sobre o assunto.

corredor_central1

2. AS CORRENTES MIGRATÓRIAS

O pombo torcaz é tão sedentário como migratório. A tendência para se tornar cada vez mais sedentário tem vindo a aumentar. São evidentes as crescentes populações existentes em muitas das cidades europeias.

Os ornitólogos consideram que existem duas sub-populações de pombos torcazes na europa. Por um lado, aqueles que nidificam no norte, oriente e centro da europa, que realizam a sua migração anual para os países com inverno suave, e por outro, os que nidificam no sul e na zona litoral atlântica da europa, que são sedentários.

mapa_grandesmigrato

        Área de origem das grandes migradoras

 sedentarias

Sedentárias

 

Quanto mais no deslocamos para sul, menor é o instinto migratório destas aves. Os pombos torcazes nascidos na zona centro da Europa, dependendo dos factores climáticos e dos recursos alimentares de que disponham, deslocam-se mais ou menos, mas quase sempre sem chegarem a passar os Pirinéus para Espanha e Portugal. A sua movimentação também é mais tardia do que a dos seus irmãos do norte, ocorrendo normalmente em Novembro.

migratorias parciales

Pequenas migratórias

 

A grande migração realiza-se essencialmente através de duas correntes distintas. Uma com origem na Escandinávia, na Finlândia, Europa de Leste e Sibéria Ocidental, sendo que as aves escandinavas cruzam um braço de mar existente entre a Suécia e a Dinamarca, pelo cabo sueco de Falsterbo, passando pelas ilhas dinamarquesas, enquanto que as restantes que compõem esta corrente central atravessam os países bálticos e a Polónia, juntando-se às primeiras na Alemanha. Toda esta corrente corta a França na diagonal, permanecendo no sul deste país ou entrando na Península através do País Basco, tendo, neste caso, como destino a costa sudoeste portuguesa (ver mapa).

Correntes Migratórias

As principais correntes migratórias

 

A segunda corrente tem origem na Europa de Leste e passa através da Suíça e do norte de Itália. Os pombos que não ficam em Itália ou no sul de França, ou se juntam no maciço central dos Pirinéus à corrente com destino a Portugal, ou atravessam aquelas montanhas na sua zona oriental, perto do Mediterrâneo, tendo como destino de invernada o sul de Espanha. Estes últimos normalmente não chegam a Portugal.

3. CONTAGENS

O Grupo para a Observação da Vida Silvestre (GIFS) desenvolveu uma ferramenta que permite realizar, com razoável rigor, desde 1999, a contagem dos pombos migratórios na sua passagem pelos Pirinéus.

pirinéus

Passagem dos Pirinéus

 

Este ano, passaram por aquela cadeia de montanhas que separa a Península Ibérica do resto do continente europeu, 2228652 pombos, número que, não chegando aos 2659519 de 1999, excede todos os outros verificados anteriormente (ver gráfico).

observadores

Observadores

gráfico contagens

Fonte: Gifs – France

O ponto máximo da migração, a famosa onda azul, neste ano, compreendeu quatro picos distintos:

• Uma primeira entrada em 17 e 18 de Outubro, um pouco tímida, com cerca de 160 000 pombos;

• Um segundo pico entre 22 e 24 de Outubro, já com cerca de 700 000 pombos;

• Um terceiro pico entre 28 e 31 de Outubro, com quase 800 000 pombos;

• Um quarto pico entre 7 e 8 de Novembro, com mais de 600 000 torcazes.

Tivemos ainda informação sobre mais uma entrada significativa, por volta do dia 13 de Novembro, coincidindo com o bom tempo que se fez sentir, mas já com as contagens encerradas.

Não duvidamos que um número muito significativo de pombos passa os Pirinéus em locais em que não é realizada a contagem. Estima-se que o quantitativo total de pombos torcazes que migram anualmente para Portugal e Espanha, deverá, em média, estar compreendido entre os 2,5 e 4,5 milhões de indivíduos.

censo_2009_10mapa_dormideros

Contagens realizadas nas principais dormidas na Península entre 14 e 16 de Dezembro de 2009 (esq.) e respectiva localização (dta.)

 

Conforme já referimos, existe um corredor na zona leste dos Pirinéus, junto do Mediterrâneo, por onde passa uma corrente muito importante de torcazes, que tem como destino de invernada o sul de Espanha, zona de Córdova / Sevilha, e que normalmente não chega a Portugal. Apesar de este corredor ser praticado por quantitativos significativos de torcazes, não é contabilizado pelo Gifs. Lembramos que no ano de 2010 em que foram contabilizados pouco mais de 900 000 pombos nos pontos de contagem tradicionais, contrariamente ao normal, grandes quantitativos passaram por este corredor, tendo sido um ano inesquecível para muitos caçadores do sul de Espanha.

Para melhor conhecer a migração, o Gifs organizou um grupo franco-espanhol-português que faz o seguimento das aves através de balizas Argos colocadas no seu dorso e controladas por satélite. Entre 2009 e 2011, cerca de dez pombos torcazes foram equipados com o referido equipamento nas zonas de invernada mais importantes. Entre nós, concretamente na ZCT da Aniza, alguns torcazes são equipados todos os anos por uma equipa da Gifs que se desloca ao local, normalmente em Dezembro. Esta é uma matéria que se reveste de muito interesse, justificando, só por si, um artigo dedicado, que esperamos publicar em breve.

argos

Baliza Argos

 

4. A INVERNAGEM

No caminho para Espanha e Portugal, ao atravessar o maciço dos Pirinéus, os torcazes passam através de uma série de corredores em que os carvalhos permitem a sua alimentação até chegarem às áreas de invernada, onde a alimentação predominante é a bolota de sobro e azinho. Nestas montanhas, a entrada faz-se por passagens muito conhecidas como: Valcarlos e Echalar, do lado espanhol, e Urrugne (o passeio marítimo), Sare, Arneguy e Banca, do lado francês. Estas passagens consistem normalmente em vales com orientação nordeste / sudoeste, que, com a meteorologia mais adequada, normalmente vento sul fraco e dias soalheiros, criam as condições ideais para que as aves possam ultrapassar o obstáculo à sua migração que constitui a cordilheira dos Pirinéus.

corredor_central3

O passeio marítimo

 

Se as condições meteorológicas não forem boas para os torcazes realizarem a travessia, como acontece em dias de vento muito forte, chuva ou nevoeiro, então tendem a dispersar-se pelo Bosque das Landas, um autêntico mar verde, aguardando as condições necessárias à sua viagem através das montanhas. Se estas não chegarem a verificar-se, a maioria dos torcazes permanece em França, até porque as áreas de montado de sobro e azinho na península e também naquele país, sofreram, no seu conjunto uma redução da ordem dos 30%, enquanto as plantações de milho no sul de França país aumentaram substancialmente, o que veio a alterar o comportamento das aves, criando condições para que os torcazes aí permaneçam, sem passarem para Portugal e Espanha.

Atravessados os Pirinéus, os pombos deslocam-se rapidamente na direcção de Portugal, em concreto na direcção dos montados de Alcácer do Sal, Palma e Grândola, onde chegam após alguns dias de viagem. Dependendo das condições meteorológicas e da abundância de comida (leia-se bolota de sobro ou lande), em média, a sua permanência nesta zona dá-se por todo o mês de Novembro, deslocando-se posteriormente para nordeste, quando se iniciam os ventos do quadrante norte. Embora com marcadas diferenças, por vezes entre anos consecutivos, aparecem então em zonas de caça tradicionais como Lavre, Sabugueiro, Ciborro, Mora, Montargil, Vimieiro, Alter do chão… Em finais de Dezembro já se encontram normalmente um pouco mais para norte: Monforte, Crato, Portalegre, Rosmaninhal e também na Serra de São Pedro, na Extremadura Espanhola.

Após prolongada invernagem na Península Ibérica, normalmente em finais de Fevereiro ou em Março, quando o inverno começa a terminar e chegam os primeiros dias de primavera, os pombos regressam. Sobrevoam novamente os Pirinéus, fazendo-o normalmente a grande altura e seguindo novamente na direcção das Landas francesas, para depois se dirigirem aos seus países de origem. Trata-se da migração pré-nupcial.

Nós, por cá, ficamos à espera que nos visitem de novo, a sonhar com bandos a perder de vista e, sobretudo, com AQUELAS caçadas.

 Paulo Santana

 

Ref’s:

“Gifs – Grupo para a Observação da Vida Selvagem”

“Palombe et Tradition”

torcaces.com

Nov 13

CONTAGENS NOS PIRINÉUS 2012 a 2016


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2016

Nos dias 14, e 15 de Novembro,  MAIS DOIS GRANDES GOLPES. No primeiro desses dias, muitos bandos, alguns com mais de 2000 pombos, atravessaram contínuamente, durante toda a manhã e também durante a tarde, os Pirinéus. No segundo, bandos ainda maiores, mas mais espaçados. Embora sem números rigorosos relativamente a quantidades, as estimativas apontam para que tenham passado perto de quinhentos mil pombos.

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Este ano, o total de pombos torcazes contabilizados nas contagens oficiais pelo GIFS ascendeu a 1238004. Mais uma vez, pelo terceiro ano consecutivo, muitos ficaram por contar por passarem com as contagens encerradas. As estimativas apontam para valores totais da ordem de um milhão e setecentos mil pombos. 

DATAURRUGNE SARE BANCAARNEGUYTOTAL DIAMETEOVENTO 
P vs RP vs RP vs RP vs R
15-OUTP:260
R:0
P:40
R:0
P:20
R:0
P:6
R:0
326
16-OUTP:18821
R:1155
P:2061
R:197
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R:56
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R:0
21645
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R:0
515
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R:0
P:4658
R:35
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R:200
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R:26
155392
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R:641
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R:0
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R:259
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75828
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R:1200
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R:0
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R:1
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R:4
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R:0
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R:1
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R:127
15243
29-OUTP:29876
R:13029
P:268229
R:453
P:102208
R:15446
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R:2869
413807
30-OUTP:8
R:1035
P:2080
R:93
P:6580
R:1108
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R:1795
15363
31-OUTP:106330
R:31480
P:38091
R:1540
P:79284
R:8510
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R:4048
236068
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R:16331
P:3
R:159
P:2301
R:387
P:1790
R:120
70302
02-NOVP:1118
R:456
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R:95
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R:154
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R:503
18843
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R:0
P:0
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R:20
637
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R:0
P:0
R:7
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R:15
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R:0
17
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R:0
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R:0
P:0
R:0
P:0
R:0
0
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R:0
P:0
R:0
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R:0
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R:0
0
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R:0
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R:0
0
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12
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R:0
P:0
R:0
0
10-NOVP:0
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P:0
R:0
P:0
R:0
P:0
R:0
0
TOTALP:277276
R:85010
P:543037
R:5138
P:350167
R:28192
P:196463
R:10599
BALANÇO192266537899321975185864
Total Acumulado1238004
P vs R =» P = Passagem | R = Retorno



2015

DATAURRUGNE SARE BANCAARNEGUYTOTAL DIAMETEOVENTO 
P vs RP vs RP vs RP vs R
15-OUTP:3514
R:497
P:5207
R:55
P:1889
R:59
P:300
R:0
10299
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R:153
P:3835
R:0
P:3386
R:0
P:152
R:0
9977
17-OUTP:17727
R:6507
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R:193
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R:455
P:2758
R:446
36661
18-OUTP:163
R:2693
P:2
R:0
P:35
R:0
P:19
R:25
-2499
19-OUTP:1336
R:421
P:1285
R:0
P:5582
R:0
P:2619
R:50
10351
20-OUTP:172
R:146
P:4272
R:242
P:30202
R:17946
P:149584
R:38818
127078
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R:1779
P:8075
R:119
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R:90
P:1064
R:52
20570
22-OUTP:1
R:358
P:0
R:82
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R:181
P:60
R:28
1243
nulo
23-OUTP:1468
R:612
P:430
R:38
P:1066
R:197
P:60
R:40
2137
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R:65
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R:0
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R:53
P:136
R:150
2023
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R:14
19740
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98961
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R:0
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P:0
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P:0
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P:26
R:0
-78
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R:745
P:1
R:197
P:0
R:0
P:0
R:0
-783
30-OUTP:669800
R:31817
P:1897
R:575
P:3196
R:0
P:571
R:280
642792
31-OUTP:111606
R:8880
P:2001
R:336
P:2301
R:8
P:802
R:30
107456
01-NOVP:79448
R:21337
P:64965
R:604
P:83224
R:0
P:17629
R:0
223325
02-NOVP:26160
R:50828
P:39159
R:220
P:59220
R:2781
P:51318
R:966
121062
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R:2214
P:0
R:0
P:0
R:0
P:0
R:0
-2214
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R:0
P:25
R:0
-809
05-NOVP:3367
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P:10
R:240
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R:82
P:450
R:179
3424
06-NOVP:22529
R:2863
P:2635
R:473
P:9915
R:103
P:1116
R:42
32714
VF
07-NOVP:39880
R:2020
P:70
R:0
P:2646
R:511
P:2548
R:111
42502
08-NOVP:132625
R:25329
P:580
R:264
P:2948
R:1116
P:5498
R:450
114492
09-NOVP:40
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P:142
R:247
P:246
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P:750
R:10
721
VF
10-NOVP:51
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P:6
R:11
P:1543
R:7
P:12
R:1
1558
VF
TOTALP:1268616
R:180918
P:152325
R:4423
P:236249
R:32069
P:237882
R:41692
BALANÇO1087698147902204180196190
Total Acumulado1635970
P vs R =» P = Passagem | R = Retorno

 



2014

Em 11 de NOVEMBRO terminaram as contagens oficiais das passagens nos Pirinéus. Foram contabilizados ao longo do período iniciado em 15 de Outubro 1 323 074 pombos torcazes, número que é relativamente baixo, sendo superior apenas ao verificado nos anos 2009, 2010 e 2011.

No entanto, já depois das contagens o bom  tempo, finalmente, permitiu que muitos pombos que se encontravam em França, nas Landas, pudessem atravessar os Pirinéus nos dias 19 e 20 de Novembro. De acordo com as estimativas, no total, terá passado um quantitativo da ordem de 500 000 torcazes. Com esta passagem os quantitativos de torcazes que cruzaram os Pirinéus  totalizaram um número da ordem dos 2 milhões de pombos.

tabela



2013

As contagens relativas a este ano foram encerradas no dia 10 de Novembro, um dia antes do normal, devido ao mau tempo. De referir a passagem ocorrida no dia 31 de Outubro, onde cerca de 1 milhão e duzentos mil pombos atravessaram os Pirinéus, sendo a segunda maior passagem de sempre num só dia, apenas ultrapassada pela ocorrida em 26 de Outubro de 1999, dia em que passaram mais de um milhão e meio de pombos.

Este ano ficou caracterizado por um claro atraso na migração, que fez com que, já após o encerramento, ocorressem grandes movimentações em França culminadas por uma passagem significativa no dia 14 de Novembro. Estima-se que nesse dia terá passado um contigente de pombos avaliado entre os 300 e os 500 000 pombos. Se acrescentarmos os 75 000 pombos passados em Iraty, não contabilizados pelo GIFS, terá totalizado cerca de 2 milhões, pelo que se pode já considerar um bom ano de passagem.

Pir 9 e 10 nov



2012

Com a contagem de 11 de Novembro, terminou a contabilização dos pombos torcazes que atravessam os Pirinéus. Com mais de dois milhões e duzentos mil pombos, foi um ano excepcional, dos melhores desde que a contagem se iniciou em 1999.

Aqui fica o registo das contagens efectuadas entre 15 de Outubro e 11 de Novembro de 2012.

Nov 09

CAÇA AOS GANSOS E POMBOS NA ESCÓCIA

Após repetidos convites do meu amigo Rita, acabei por aceder em o acompanhar à Escócia numa viagem com objectivo de caçar gansos e também pombos torcazes. Este convite agradou-me de sobremaneira pois sou um apaixonado da caça aos pombos e tinha também uma antiga aspiração de um dia vir a caçar gansos. Por outro lado, a Escócia fica “aqui tão perto” e a libra está relativamente barata, o que tornava a viagem bastante acessível. Com todos estes atractivos, só podia concordar, pelo que acabei por convidar o nosso amigo João, também ele um aficcionado na caça aos pombos, que ficou deveras entusiasmado em nos acompanhar.

Apesar dos escritos nas nossas revistas da especialidade, tanta vezes repetidos, afirmando ser extremamente complicado o transporte de armas de caça para o Reino Unido, o processo foi extremamente simples. Bastou enviar por e-mail cópia do Passaporte Europeu de Armas e do documento do seguro, com extensão para a Escócia, e, algum tempo depois, recebemos em casa uma licença da polícia, permitindo a entrada das armas e a sua utilização em acto de caça, por um período de três meses. Mais um e-mail para a companhia aérea e tudo ficou tratado. Com aquele documento, a própria burocracia necessária no aeroporto de Edimburgo, tanto à entrada como à saída, é perfeitamente irrelevante. O mesmo não se poderá dizer dos procedimentos necessários à saída com as armas, no aeroporto de Lisboa, onde, na melhor das hipóteses, temos de contar com mais uma hora no “check in” só para as despachar.

À chegada, com a habitual pontualidade Britânica, esperava-nos o nosso guia de caça, o Alan. Este é um homem muito experiente, com muitos anos de caça tanto na Escócia como na Inglaterra, sendo grande especialista na caça aos gansos. Para além destes e dos pombos torcazes, a sua organização trata de caçadas aos patos, perdizes, faisões, grouses e corços. Estávamos em boas mãos.

Após cerca de uma hora, chegámos ao hotel. A paisagem era fantástica. Ficava situado numa pequena aldeia muito antiga, Kinesswood, implantada junto de um lago o “Loch Leven”. Leven (onze, em escocês) por ter onze ilhas, onze rios e onze milhas de perímetro. Tudo estava na perfeição.

 

Na madrugada seguinte saímos noite cerrada, com uma enorme expectativa pelo que nos aguardava. O tempo estava óptimo. Chegados ao campo de caça, montámos a enorme quantidade de negaças, a que chamam “decoys”, simulando, de forma muito realista, gansos a alimentar-se. Estes campos foram previamente “cebados” de forma a fidelizar aí estas aves.

 

Fomos colocados numa vala, perto das negaças e não foi necessário aguardar muito. Assim que se começou a clarear um pouco a luz do dia, os gansos (Pink-footed Goose – Anser brachyrhynchus) começaram a chegar em bandos numerosos e muito ruidosos, com o característico “rec, rec…”. Vinham alimentar-se após permanecerem durante a noite no lago, que constitui reserva integral.

 

A sensação de ver os bandos a “caírem” de forma maciça sobre as negaças é indiscritível. Quem conhece a sensação de ver os pombos torcazes a descerem sobre a “armação”, poderá ter apenas uma pálida ideia.

Tratando-se de aves de grande porte, os tiros (40 g de chumbo 3)  tinham de ser disparados a curta distância, pois se assim não fosse correr-se-ia o risco de as ferir gravemente sem as conseguir cobrar. Preferencialmente, a pontaria deveria ser feita à cabeça.

O guia ia trabalhando o apito bocal (chamariz) com mestria e os gansos foram caindo à voz de “shoot”, até ser dada ordem para parar, para evitar os excessos. De referir que em Setembro, mês em que ocorreu a caçada, ainda há muitos gansos novos e inexperientes, os que os torna mais vulneráveis. Em Dezembro ou Janeiro já estão muito mais “finos”, caindo no logro com muito maior dificuldade.

 

Terminada a caçada, foi necessário carregar o material e voltar rapidamente ao hotel para tomar um substancial pequeno almoço “à inglesa”, com bacon e ovos, e trocar os cartuchos e os “decoys” para irmos fazer o resto do dia aos pombos. No Reino Unido não se podem utilizar negas vivas, pelo que o “chamariz” consiste em pombos de plástico simulando estarem a comer no solo, acrescidos de pombos mortos, colocados aos pares numas varetas que vão rodando ao longo do dia em torno de um eixo vertical, accionado por um motor eléctrico, conferindo algum movimento ao conjunto. Toda a parafernália foi montada num campo de colza, com uma vista soberba, onde já tinha sido realizada a colheita e onde os pombos tinham muita querença.

 Não foi necessário esperar muito, pois os torcazes (localmente chamados por “wood pigeon” ou “woodies”) não tardaram a entrar. Individualmente ou em pequenos grupos, quase sempre de “bico ao vento”, “faziam-se” às negaças com facilidade, permitindo realizar tiros muito divertidos.

 

O tiroteio foi interrompido pelo “almoço”, constituído por sanduíches e uma lata de bebida, e continuou até cerca das dezasseis horas, quando os “woodies” deixaram de entrar. Por volta dessa hora, o guia voltou para nos recolher, conjuntamente com todo o material.

Foram três dias de caça muito intensos, garantidamente do agrado de todos os que apreciam caçar com negaças. Em particular, a caça aos gansos foi fantástica, não só por constituir novidade, mas, sobretudo pela tremenda sensação de ver os bandos numerosos, compostos por aves de grande porte, caírem em massa sobre o local onde nos localizávamos, respondendo ao chamariz vocal realizado pelo guia.

Foi para mim um privilégio caçar na Escócia, entre amigos, numa paisagem magnífica, com gente que sabe caçar, mas também sabe receber. Até para o ano.

Paulo Santana

(publicado na revista “Caça & Cães de Caça”)

Jul 14

A TÉCNICA MODERNA DE CAÇA AOS POMBOS TORCAZES COM VARA

Introdução

A caça aos pombos torcazes com vara constitui uma das técnicas de caça mais elaboradas e que necessita, para além de uma quantidade apreciável de equipamento, de uma aprendizagem mais prolongada e de uma habilidade natural que faz com que, frequentemente, seja apelidada de “arte”. Podendo existir algum exagero nesta afirmação, pois, efectivamente, está ao alcance de todos os que tenham alguma vontade e persistência, não deixa de constituir uma modalidade de caça tremendamente apaixonante e que conta cada vez com mais adeptos.

Esta modalidade, apesar de praticada há já muitos anos, mais ou menos da mesma forma, sofreu recentemente uma evolução extraordinária tanto ao nível do equipamento como dos próprios pombos.

 As varas tradicionais

Antes de me debruçar pela técnica de caça propriamente dita, vou passar à descrição do componente mais importante do equipamento: as varas.

As varas originais não eram mais do que uma cana, normalmente em bambú, com a flexibilidade adequada, colocada em posição quase horizontal no interior da árvore, ficando o pombo de vara, normalmente encarapuçado, fixo num champil em cortiça na extremidade saliente da vara, na zona baixa da copa, com o bico virado para o seu interior, por forma a estar virado para o vento, já que os pombos fazem a sua entrada nesse sentido. Tratava-se (e trata-se) de um sistema eficaz, mas apenas quando os torcazes já se encontravam na proximidade da armação. Como (enormes) limitações tinha a reduzida visibilidade, por se encontrar numa aba da árvore, e a impossibilidade de se ajustar a mudanças na direcção do vento. Estas varas, mais tarde, foram substituídas por outras, um pouco mais elaboradas, constituídas por dois segmentos rectos, em madeira, articulados através de uma mola.

Posteriormente, com a popularização da caça com vara, sobretudo os caçadores “da cidade” começaram a utilizar uma adaptação metálica desta vara que, embora funcionasse de forma análoga, possuía um extensível vertical que permitia a sua montagem sem necessitar de subir à árvore onde era instalada

Vara tradicional com mola

Em Espanha a técnica diferia um pouco. A vara mais utilizada era constituída por um travessão horizontal, em madeira, com um metro ou um metro e meio, onde era colocada perpendicularmente, uma outra peça, também em madeira e com comprimento análogo, articuladas entre si. Esta última peça ficava móvel, rodando em torno da primeira, que era fixa pelas extremidades no alto da copa. O champil, também de cortiça, era colocado na extremidade que ficava saliente da copa, novamente com o pombo virado para o seu interior, pelo motivo referido atrás. Aquele, se fosse de qualidade, possuía alguma folga, o que permitia que, a trabalhar, se destacasse ligeiramente da base do champil.

Este sistema (vara de balanço), quando bem montado, era razoavelmente eficaz, por permitir colocar o pombo no topo da copa, embora fosse complicado conseguir esse objectivo. Para conseguir a sua colocação naquele local, para além da natural dificuldade de acesso a uma zona com rama frágil, incapaz de suportar com segurança o negaceiro, era necessário desbastar em quantidade a rama no topo da árvore (o que normalmente não é permitido) para dar visibilidade ao pombo de vara, o que constitui, no seu todo, uma manobra de êxito duvidoso, perigoso e demorado. Na imensa maioria das vezes o pombo, em resultado das limitações referidas, ficava demasiadamente no interior da copa, tornando o sistema sofrível.

O tipo de vara referido no parágrafo acima, já recentemente, sofreu também uma adaptação metálica, com extensível, que permite a sua montagem verticalmente sem subir à árvore. A sua montagem no topo da copa também não é fácil, quer pelo acesso difícil, quer sobretudo, por se tratar de uma vara onde que é necessário accionar a sua rotação através de um “puxão” na extremidade do braço, o que provoca desequilíbrios e, consequentemente o “varejar” de todo o conjunto, dificultando o trabalho do pombo. Por outro lado este último também não se pode destacar da base de forma muito evidente.

 Vara de balanço metálica

As varas modernas

Na caça aos pombos torcazes com vara, as inovações, quer ao nível da técnica quer mesmo no que se refere à qualidade dos pombos, têm vindo, sobretudo, de Itália. Foi neste país que foi concebida a vara que, sendo completamente diferente das que referi, consegue aliar as características mais marcantes que deve ter uma vara, aumentando, imensamente, a sua eficácia. Trata-se da vara vertical de copa ou vara de êmbolo.

 

Ponteira para vara vertical de copa

Esta vara, apesar de se destinar a ser montada no alto da copa, tem uma montagem muito fácil, mesmo a partir do solo, utilizando os segmentos extensíveis em aço ou alumínio. O pombo, desde que adequadamente treinado, é colocado no champil, uma base circular, ainda no solo, e passa através da rama até ao local onde vai “trabalhar”, no alto da árvore. Todo o conjunto pode ser fixo subindo à árvore, através de dois elásticos, ou a partir do solo, através de um gancho que evita os movimentos da vara. Estes últimos, podendo sempre existir, são muito reduzidos neste tipo de vara por esta ter movimento vertical, com ausência de momentos de força, istoé, rotações que desequilibram o conjunto, não tendo por isso tendência a varejar.

Vara vertical com pombo em acção

Um outro aspecto determinante neste tipo de varas que marca enormemente a diferença para as varas clássicas é o movimento do pombo. Ao ser arremessado ao ar, o pombo faz um movimento vertical até voltar a pousar no champil. Esta característica, aliada à posição que o pombo ocupa no topo da copa da árvore, confere a esta vara uma enorme visibilidade que é, sem qualquer dúvida, a sua grande vantagem.

A montagem no topo da árvore permite ainda que o pombo de vara trabalhe sempre, independentemente da direcção do vento, o que, em certos dias também poderá ser uma mais-valia.

Com pombos de vara muito bem treinados, a eficácia desta vara ainda pode ser melhorada aumentando o comprimento do fio que o liga à base. Com esta alteração, o movimento do pombo deixa de ser simplesmente vertical, passando a percorrer uma espiral, tornando-se, por isso, mais apelativo.

As melhores varas verticais existentes no nosso país são importadas de Itália, embora já sejam construídas em Portugal varas que se aproximam daquelas, com a vantagem de serem mais baratas.

Uma outra vara recente, também eficaz, foi igualmente desenvolvida em Itália. Trata-se do rolo. Este pode ser utilizado em qualquer ponto da copa e também, com toda a facilidade, no solo. O funcionamento desta ponteira, onde um rolo é accionado através de uma mola, desequilibra o pombo, que bate as asas, chamando assim a atenção dos seus congéneres silvestres. Embora com variantes, este tipo de vara, com o pombo preso e montada na árvore onde se encontra a armação, poderá ter uma função semelhante à que era desempenhada a vara de mola tradicional, com a vantagem de poder ser montada em qualquer ponto da copa e, por ter um movimento praticamente vertical, não varejar.

 

Ponteira de rolo com mola

Pombo de vara a trabalhar em ponteira de rolo livre

Os pombos

Tão importantes como as varas, pois uns sem os outros são completamente ineficazes, são os pombos. Da mesma forma que uma vara de “alta tecnologia” não serve para muito com um pombo mal treinado, também o melhor pombo do mundo será muito pouco eficiente se trabalhar numa vara inadequada ou para a qual ele não foi treinado.

O objectivo deste artigo não é uma descrição exaustiva do que devem ser os pombos de vara, matéria que só por si justificaria um texto maior do que este e não isento de polémica, dada a inexistência de consenso relativamente a diversas características, das quais enuncio só como exemplo o “desguiar” ou o “guiso”, tão queridos de uns e completamente desprezados por outros. Ainda assim referirei que importa que os pombos sejam muito mansos, pois isso facilita o seu treino e o seu trabalhar em acto de caça. Importa também que sejam o mais semelhantes possível com os torcazes, pois estes, sobretudo os mais velhos e experientes, conseguem distinguir a diferença entre os seus congéneres e um pombo de vara tradicional, com riscas negras nas costas e a plumagem por baixo das asas praticamente branca , tornando-os muito menos eficientes, sobretudo quando os torcazes se encontram em grandes bandos, como acontece em Dezembro.

Os únicos pombos que reúnem as características enunciadas acima são as raças francesa “Azul de Gascogne” e italiana “Asa Lisa”. Tanto uns como os outros foram apurados ao longo de muitos anos para serem semelhantes aos torcazes. Esta semelhança pode ainda ser melhorada através de uma coloração apropriada (ver foto).

Francês “Azul Gascogne” com coloração

A disposição das varas no terreno

As varas verticais, embora sejam de longe as mais eficazes a atrair os pombos torcazes, têm no entanto uma particularidade que condiciona a sua colocação no terreno. Devido à sua visibilidade, chamam os pombos de muito longe, mas estes tendem a passar sobre o pombo de vara, a baixa altitude, mas sem procurarem pousar, pelo menos de imediato. Esta característica obriga a certos cuidados na colocação da vara (ou das varas, como adiante se verá).

1ªopção 

O sistema mais simples, e por isso menos eficiente, quando comparado com as alternativas aqui mencionadas, assenta numa vara vertical colocada numa árvore que deverá estar posicionada em frente da armação, a uma distância de 20 /30 metros. O seu accionamento é feito através de um fio que passa através de um rolete, fixo no chão na vertical da vara. Trata-se um sistema muito apelativo, mas, pela restrição referida no parágrafo acima, tenda a “controlar” mal a entrada dos pombos. Embora estes, tendencialmente, entrem de “bico ao vento” (lembro que a armação deverá ter sempre o vento “pelas costas”) e como tal na direcção do aguardo, a verdade é que, com toda a facilidade, poderão passar mais à esquerda ou à direita, reduzindo o aproveitamento e o número de peças cobradas.

1ª opção (1 vara)

2ª opção

Em vez de colocar apenas uma vara vertical frontalmente (op.1), deverão ser colocadas duas varas verticais lateralmente, em árvores distantes cerca de 15 /20 m, uma à esquerda e outra à direita. Esta montagem permite aumentar substancialmente o rendimento, pois torna possível, em função da forma como os pombos abordam a armação, trabalhar mais à direita ou mais à esquerda, consoante se pretende puxar os torcazes mais num sentido ou noutro. Isto é, se, num lance, os pombos entram excessivamente por um dos lados, devemos chamá-los com a vara vertical do outro lado, de forma a corrigir a sua trajectória na direcção do aguardo ou das “madrinhas”. Isto só é possível pela excelente visibilidade dos pombos de vara a trabalharem no alto da copa, como só esta vara permite. Um bom negaceiro, com duas varas verticais, na esmagadora maioria das situações, conduz os pombos na direcção que deseja.

2ª opção (2 varas)

3ª opção 

Esta não é mais do que a soma das duas anteriores. Por isso é, indiscutivelmente, mais eficaz.

A montagem de uma vara vertical numa árvore em frente do aguardo, sobretudo se tiver maior curso ou se tiver o fio que a liga ao pombo de vara mais comprido, para que o pombo possa subir mais, permite aumentar a eficácia do conjunto quando os torcazes se encontram mais afastados, tornando visível e mais apelativo todo o conjunto. Quando estes já se encontram em aproximação na proximidade do aguardo, apenas as varas laterais devem trabalhar da forma referida na op.2.

3ª opção (3 varas)

4ª opção

Trata-se, mais do que uma opção, de um complemento, pois se acrescermos à opção anterior (ou a qualquer uma das outras) uma vara de rolo ou uma vara de mola tradicional, na copa da árvore onde se encontra o aguardo, então a probabilidade de os torcazes em aproximação se dirigirem para poisar sobre as nossas cabeças aumenta substancialmente, tornando ainda o conjunto um pouco mais eficaz. A utilização deste conjunto só é possível com um negaceiro muito hábil, pois, embora trabalhando em tempos diferentes, terá de operar com quatro varas distintas.

Todas as opções referidas poderão (e deverão) ser completadas com pombos vivos ou mortos, colocados no solo, ou ainda pombos artificiais, colocados, da mesma forma, no solo, ou ainda na copa das árvores. Havendo “mãos livres”, isto é, ajudantes de negaceiro, eventualmente colocados nas madrinhas, podem ainda ser utilizados um ou mais rolos no chão, com pombos de vara, colocados entre os referidos acima, para dar movimento e vivacidade ao conjunto.

4ª opção (3 varas verticais e um rolo)

PAULO  SANTANA 

www.paixaoazul.pt