Jul 16

AS RAÇAS MAIS UTILIZADAS COMO POMBO DE VARA

0. NOTA PRÉVIA

 A equipa da PAIXÃO AZUL, confrontada com um desconhecimento quase total dos caçadores de pombos torcazes portugueses e espanhóis relativamente às características e origem das raças dos pombos de vara companheiros das nossas aventuras cinegéticas na nobre arte de negaçar com vara, tem vindo há já algum tempo a fazer alguma pesquisa em textos, livros e sites internacionais que se debruçam sobre a matéria, para tentar fazer alguma luz sobre o assunto. É o resultado dessa pesquisa que aqui compartilhamos com vocês. De referir que o que aqui se relata poderá em algumas situações não ter o rigor suficiente que o assunto exigiria, mas tal deve-se, por um lado à dificuldade de conseguir informação rigorosa e precisa e, por outro, contrariamente ao que acontece a muitas outras espécies de animais de companhia, à inexistência de padrões de raça relativos a pombos para caça, perfeitamente definidos e aceites por todos, bem como organizações ou clubes de criadores que garantam o rigor desses padrões, como acontece em outras raças de pombos de cor ou forma. A única excepção é o pombo francês Azul de Gascogne, cujas características se encontram bem definidas no livro “Liste des races françaises de pigeons”.

1. INTRODUÇÃO

 A caça aos pombos torcazes com vara constitui uma actividade apaixonante, praticada na Europa pelo menos desde o século dezoito, tendo cada vez mais adeptos no nosso país. Esta actividade, apesar de tradicional, foi recentemente objecto de uma enorme evolução em resultado da adopção de novas técnicas vindas de fora, sobretudo de Itália, que a vieram revolucionar.

 Nos últimos anos, paralelamente com as varas verticais, capazes de projectar as negaças em altura, muito mais apelativas do que as tradicionais, vieram também pombos “italianos de asa lisa” e franceses “azul de gascogne”. Estas raças são particularmente dóceis e muito semelhantes aos torcazes, sobretudo se tiverem a coloração adequada, com riscas brancas sobre as asas, o que permite uma grande visibilidade mesmo a grandes distâncias. Estas são mesmo as únicas raças apuradas com o propósito de servirem de atractivo aos seus parentes silvestres, pelo que, para além da sua cor cinzento-azulado, não possuem as indesejáveis barras negras nas costas. O facto de serem muito dóceis, sobretudo os italianos, facilita o seu treino e o trabalhar em acto de caça.

 Apesar de se tratar de pombos cuja importância diminuiu um pouco com as novas técnicas de negaçar, será ainda feita uma referência aos pombos nacionais, pois continuam a ser dos mais utilizados entre nós, por constituírem uma enorme valia, sobretudo em condições onde o “guizo” possa ter relevância.

2. HISTÓRICO

 Em 1920, surgem as primeiras notícias de um pombo utilizado solto, sem carapuça, na caça aos torcazes. Este pombo que se chamou originalmente Amélia, por ser oriundo desta localidade no centro de Itália, tomou mais tarde o nome de TERNANO, por Amélia se localizar na zona de Terni. Este terá talvez tido a sua origem no cruzamento de pombos domésticos (columba livia) com pombos correio.

 Apesar de ser bastante mais antigo, sendo já então utilizado como chamariz do pombo torcaz, em 1920 é também estabelecido o primeiro standard, passando a ser considerado pombo de exposição, o AZUL GASCOGNE, pombo originário de frança, tendo como antepassado o Biset para os franceses, ou pombo doméstico (columba livia), apurado para se tornar o mais parecido possível com o pombo torcaz. Trata-se de um pombo muito resistente, do qual, contrariamente ao por vezes referido, existe apenas uma variedade.

 No final dos anos setenta, o conhecido caçador e criador italiano Pietro Cepatelli, cruzou o Vermelho Genovês, derivado do Torraiolo, com o francês Azul de Gascogne, para obter o ROSITA, muito semelhante ao francês mas sem barras ou com elas esfumadas e com boa predisposição para o trabalho de caça.

Em 1982, Maurizio Lorenzini, de Casale Marítimo perto de Livorno, no centro / norte de Itália, começa por cruzar o Allodola de Coburg com o Ternano. Em 1986 obteve seu primeiro pombo macho, compacto, sem barras negras. Em 1989 obteve a primeira fêmea. Em 1996 conseguiu fixar em definitivo as características do denominado CASALESE, com tamanho intermédio entre o Allodola de Coburgo e o Ternano. Este pombo tem uma cor uniforme cinza com corpo esbelto e sem barras. Em seguida, introduziu sangue de pombo preto/cinza, para conseguir um pombo cinza mais escuro.

Mais tarde, Ceppatelli, cruzou algumas de suas linhagens francesas com o Ternano, tendo obtido o TENEBROSO, pombo escuro, sem barras, semelhante ao Ternano.

 Em Portugal, sem ser possível localizar no tempo, também a partir do nosso pombo doméstico (columba livia) foi apurada uma raça morfologicamente muito semelhante, mais escura, sem a indesejável mancha branca na cauda, mas com a particularidade de possuir rémiges muito longas, que lhe confere o seu inconfundível guizo, tão apreciado por muitos caçadores portugueses.

3. RAÇAS ORIGINAIS

3.1 POMBO DOMÉSTICO

 O pombo doméstico (columba livia) é um pombo pequeno, com barras negras nas costas que teve origem no pombo da rocha, o pombo mais antigo que se conhece, tendo sido domesticado há mais de 5 000 anos.

columba_livia_tn

Pombo doméstico

3.2 ALLODOLA DE COBURGO

Trata-se de um “pombo de forma”, isto é uma raça apurada essencialmente através de critérios orientados para a forma do pombo. Oriundo da Alemanha, foi descrito pela primeira vez em 1869. Tem diversos padrões no que se refere à coloração. A que mais nos importa é a que se ilustra na foto abaixo, por não ter barras negras, o que o tornou extremamente útil em cruzamentos destinados a eliminar as referidas barras. Foi determinante na obtenção do Casalese, ou seja, no Italiano de Asa Lisa.

allodoladicoburgo Allodola de Coburgo prata, sem barras

4. FRANCESES

4.1 AZUL DE GASCOGNE

Pombo com origem em França, tendo como antepassado o pombo doméstico (Bizet para os franceses). Trata-se de uma raça que foi apurada apenas com o objectivo de ser semelhante ao torcaz, para poder funcionar como chamariz. É um pombo muito resistente e do qual existe apenas uma variedade. Tem o olho laranja vivo, o chamado olho de galo. De referir que, de acordo com o padrão da raça, as barras deverão ser o mais ténues possível, embora não devam desaparecer totalmente.

Azul Gascogne

Azul Gascogne

5. ITALIANOS

5.1 TERNANO

Apesar de ser uma raça de pombos muito antiga, descendendo do pombo doméstico, o Ternano (ou Amélia) mantém toda a relevância pois não só está na origem das raças de pombos de vara mais utilizadas, como, por ser dócil, muito inteligente e fácil de treinar, é reconhecidamente o melhor para utilizar solto. Esta técnica (volantini) é a mais utilizada em Itália, com enorme sucesso.

ternano  Ternano

 Hoje em dia, já se conseguem Ternanos com as asas completamente lisas, isto é, sem barras negras. Estes últimos, embora fujam de forma muito clara daquilo que é o padrão da raça, são utilizados com êxito nas diversas modalidades de caça com vara.

ternano sem barras  Ternano sem barras

Recentemente, os pombos desta raça foram melhorados com a introdução de penas brancas nas asas, numa posição que, sobretudo em voo, permitem aumentar a sua semelhança com o pombo torcaz.

ternano V  Ternano para trabalhar solto ou em ponteira vertical

5.2 ROSITA

Pouco divulgado entre nós, trata-se de um pombo sem barras ou com elas esfumadas, semelhante ao francês Azul de Gascogne, de cor rosada, como o próprio nome indica. Derivou de cruzamentos realizados no final dos anos setenta entre a referida raça francesa e o italiano Vermelho Genovês.

rosita  Rosita

5.3 TENEBROSO

Sempre com o objectivo de conseguir pombos para trabalho de caça o mais semelhantes possível ao torcaz, os criadores italianos juntaram o seu Ternano com o francês Azul de Gascogne tendo conseguido o Tenebroso. Trata-se de um pombo escuro e sem barras semelhante ao Ternano.

Tenebroso  Tenebroso

5.4 CASALESE

O Casalese ou, de forma aportuguesada, o Casalês, foi fixado em definitivo em 1996. Como já foi referido, resultou de uma selecção obtida através do cruzamento do alemão Allodola de Coburgo e do italiano Ternano. Um pouco mais claro do que o Ternano, tem uma cor uniforme cinza, sem barras

Casalese  Casalese

De referir que o gene responsável pela ausência de barras negras nas asas, obtido a partir do Allodola de Coburgo, é, nesta raça, um gene recessivo, isto é, quando cruzamos um Italiano de Asa Lisa com um pombo de qualquer outra raça possuidora de barras negras, mais ou menos atenuadas, como é o caso do Azul de Gascogne, o resultado são pombos com acentuadas barras negras.

A ausência de organizações que fixem o padrão das raças de pombos para caça em Itália fez com que os criadores, na procura de pombos mais semelhantes aos torcazes, cruzassem o Casalese com o Tenebroso, o que resultou numa grande semelhança entre as duas raças. O Casalese tem uma morfologia muito semelhante ao Tenebroso, com a diferença que é um pouco mais claro e com a cauda um pouco mais longa. O Tenebroso, por sua vez, possui uma cabeça mais semelhante ao Ternano.

A raça que em Portugal e Espanha apelidamos correntemente de Italiano de Asa Lisa corresponde de forma indistinta a qualquer uma destas duas raças (Casalese e Tenebroso). O cruzamento entre elas resulta sempre em pombos sem barras negras.

6. NACIONAL

Tal como os seus equivalentes Ternano, em Itália, Bizet, em França, e Pica, em Espanha, a raça nacional teve origem no pombo doméstico, sendo muito semelhante a este. O seu apuramento foi realizado sobretudo no Alentejo, zona onde a caça aos pombos torcazes com vara se encontra mais enraizada, tendo sempre em vista uma aproximação morfológica ao torcaz.

Estes pombos têm hoje uma cor cinzenta azulada, uniforme, possuindo ainda rémiges muito longas, com o objectivo de melhorar o seu guizo. É ainda possível aumentar o comprimento destas penas, se a ave for desguiada no quarto crescente do mês de Junho, de modo a que a sua plumagem fique completa antes do início da temporada de caça. São pombos muito inteligentes e aptos a qualquer modalidade de caça com vara. Pela negativa, possuem as indesejadas barras negras nas asas.

Nacional Branco  Nacional

Jan 03

“ONDA AZUL”

A MIGRAÇÃO DO POMBO TORCAZ

1.INTRODUÇÃO

Em 2012, a entrada de pombos torcazes invernantes na Península Ibérica, excedendo as previsões mais optimistas, fica caracterizada por enormes quantitativos migratórios, unicamente excedidos pelos verificados em 1999, primeiro ano em que se iniciaram as contagens nos Pirinéus.

A migração do pombo torcaz (columba palumbus), desde os seus países de origem até à Península Ibérica, é uma matéria apaixonante, ainda envolta em dúvidas e mistérios para os aficionados portugueses, motivo que levou a Paixão Azul a publicar um artigo reunindo toda a informação que entendeu relevante sobre o assunto.

corredor_central1

2. AS CORRENTES MIGRATÓRIAS

O pombo torcaz é tão sedentário como migratório. A tendência para se tornar cada vez mais sedentário tem vindo a aumentar. São evidentes as crescentes populações existentes em muitas das cidades europeias.

Os ornitólogos consideram que existem duas sub-populações de pombos torcazes na europa. Por um lado, aqueles que nidificam no norte, oriente e centro da europa, que realizam a sua migração anual para os países com inverno suave, e por outro, os que nidificam no sul e na zona litoral atlântica da europa, que são sedentários.

mapa_grandesmigrato

        Área de origem das grandes migradoras

 sedentarias

Sedentárias

 

Quanto mais no deslocamos para sul, menor é o instinto migratório destas aves. Os pombos torcazes nascidos na zona centro da Europa, dependendo dos factores climáticos e dos recursos alimentares de que disponham, deslocam-se mais ou menos, mas quase sempre sem chegarem a passar os Pirinéus para Espanha e Portugal. A sua movimentação também é mais tardia do que a dos seus irmãos do norte, ocorrendo normalmente em Novembro.

migratorias parciales

Pequenas migratórias

 

A grande migração realiza-se essencialmente através de duas correntes distintas. Uma com origem na Escandinávia, na Finlândia, Europa de Leste e Sibéria Ocidental, sendo que as aves escandinavas cruzam um braço de mar existente entre a Suécia e a Dinamarca, pelo cabo sueco de Falsterbo, passando pelas ilhas dinamarquesas, enquanto que as restantes que compõem esta corrente central atravessam os países bálticos e a Polónia, juntando-se às primeiras na Alemanha. Toda esta corrente corta a França na diagonal, permanecendo no sul deste país ou entrando na Península através do País Basco, tendo, neste caso, como destino a costa sudoeste portuguesa (ver mapa).

Correntes Migratórias

As principais correntes migratórias

 

A segunda corrente tem origem na Europa de Leste e passa através da Suíça e do norte de Itália. Os pombos que não ficam em Itália ou no sul de França, ou se juntam no maciço central dos Pirinéus à corrente com destino a Portugal, ou atravessam aquelas montanhas na sua zona oriental, perto do Mediterrâneo, tendo como destino de invernada o sul de Espanha. Estes últimos normalmente não chegam a Portugal.

3. CONTAGENS

O Grupo para a Observação da Vida Silvestre (GIFS) desenvolveu uma ferramenta que permite realizar, com razoável rigor, desde 1999, a contagem dos pombos migratórios na sua passagem pelos Pirinéus.

pirinéus

Passagem dos Pirinéus

 

Este ano, passaram por aquela cadeia de montanhas que separa a Península Ibérica do resto do continente europeu, 2228652 pombos, número que, não chegando aos 2659519 de 1999, excede todos os outros verificados anteriormente (ver gráfico).

observadores

Observadores

gráfico contagens

Fonte: Gifs – France

O ponto máximo da migração, a famosa onda azul, neste ano, compreendeu quatro picos distintos:

• Uma primeira entrada em 17 e 18 de Outubro, um pouco tímida, com cerca de 160 000 pombos;

• Um segundo pico entre 22 e 24 de Outubro, já com cerca de 700 000 pombos;

• Um terceiro pico entre 28 e 31 de Outubro, com quase 800 000 pombos;

• Um quarto pico entre 7 e 8 de Novembro, com mais de 600 000 torcazes.

Tivemos ainda informação sobre mais uma entrada significativa, por volta do dia 13 de Novembro, coincidindo com o bom tempo que se fez sentir, mas já com as contagens encerradas.

Não duvidamos que um número muito significativo de pombos passa os Pirinéus em locais em que não é realizada a contagem. Estima-se que o quantitativo total de pombos torcazes que migram anualmente para Portugal e Espanha, deverá, em média, estar compreendido entre os 2,5 e 4,5 milhões de indivíduos.

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Contagens realizadas nas principais dormidas na Península entre 14 e 16 de Dezembro de 2009 (esq.) e respectiva localização (dta.)

 

Conforme já referimos, existe um corredor na zona leste dos Pirinéus, junto do Mediterrâneo, por onde passa uma corrente muito importante de torcazes, que tem como destino de invernada o sul de Espanha, zona de Córdova / Sevilha, e que normalmente não chega a Portugal. Apesar de este corredor ser praticado por quantitativos significativos de torcazes, não é contabilizado pelo Gifs. Lembramos que no ano de 2010 em que foram contabilizados pouco mais de 900 000 pombos nos pontos de contagem tradicionais, contrariamente ao normal, grandes quantitativos passaram por este corredor, tendo sido um ano inesquecível para muitos caçadores do sul de Espanha.

Para melhor conhecer a migração, o Gifs organizou um grupo franco-espanhol-português que faz o seguimento das aves através de balizas Argos colocadas no seu dorso e controladas por satélite. Entre 2009 e 2011, cerca de dez pombos torcazes foram equipados com o referido equipamento nas zonas de invernada mais importantes. Entre nós, concretamente na ZCT da Aniza, alguns torcazes são equipados todos os anos por uma equipa da Gifs que se desloca ao local, normalmente em Dezembro. Esta é uma matéria que se reveste de muito interesse, justificando, só por si, um artigo dedicado, que esperamos publicar em breve.

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Baliza Argos

 

4. A INVERNAGEM

No caminho para Espanha e Portugal, ao atravessar o maciço dos Pirinéus, os torcazes passam através de uma série de corredores em que os carvalhos permitem a sua alimentação até chegarem às áreas de invernada, onde a alimentação predominante é a bolota de sobro e azinho. Nestas montanhas, a entrada faz-se por passagens muito conhecidas como: Valcarlos e Echalar, do lado espanhol, e Urrugne (o passeio marítimo), Sare, Arneguy e Banca, do lado francês. Estas passagens consistem normalmente em vales com orientação nordeste / sudoeste, que, com a meteorologia mais adequada, normalmente vento sul fraco e dias soalheiros, criam as condições ideais para que as aves possam ultrapassar o obstáculo à sua migração que constitui a cordilheira dos Pirinéus.

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O passeio marítimo

 

Se as condições meteorológicas não forem boas para os torcazes realizarem a travessia, como acontece em dias de vento muito forte, chuva ou nevoeiro, então tendem a dispersar-se pelo Bosque das Landas, um autêntico mar verde, aguardando as condições necessárias à sua viagem através das montanhas. Se estas não chegarem a verificar-se, a maioria dos torcazes permanece em França, até porque as áreas de montado de sobro e azinho na península e também naquele país, sofreram, no seu conjunto uma redução da ordem dos 30%, enquanto as plantações de milho no sul de França país aumentaram substancialmente, o que veio a alterar o comportamento das aves, criando condições para que os torcazes aí permaneçam, sem passarem para Portugal e Espanha.

Atravessados os Pirinéus, os pombos deslocam-se rapidamente na direcção de Portugal, em concreto na direcção dos montados de Alcácer do Sal, Palma e Grândola, onde chegam após alguns dias de viagem. Dependendo das condições meteorológicas e da abundância de comida (leia-se bolota de sobro ou lande), em média, a sua permanência nesta zona dá-se por todo o mês de Novembro, deslocando-se posteriormente para nordeste, quando se iniciam os ventos do quadrante norte. Embora com marcadas diferenças, por vezes entre anos consecutivos, aparecem então em zonas de caça tradicionais como Lavre, Sabugueiro, Ciborro, Mora, Montargil, Vimieiro, Alter do chão… Em finais de Dezembro já se encontram normalmente um pouco mais para norte: Monforte, Crato, Portalegre, Rosmaninhal e também na Serra de São Pedro, na Extremadura Espanhola.

Após prolongada invernagem na Península Ibérica, normalmente em finais de Fevereiro ou em Março, quando o inverno começa a terminar e chegam os primeiros dias de primavera, os pombos regressam. Sobrevoam novamente os Pirinéus, fazendo-o normalmente a grande altura e seguindo novamente na direcção das Landas francesas, para depois se dirigirem aos seus países de origem. Trata-se da migração pré-nupcial.

Nós, por cá, ficamos à espera que nos visitem de novo, a sonhar com bandos a perder de vista e, sobretudo, com AQUELAS caçadas.

 Paulo Santana

 

Ref’s:

“Gifs – Grupo para a Observação da Vida Selvagem”

“Palombe et Tradition”

torcaces.com

Nov 09

CAÇA AOS GANSOS E POMBOS NA ESCÓCIA

Após repetidos convites do meu amigo Rita, acabei por aceder em o acompanhar à Escócia numa viagem com objectivo de caçar gansos e também pombos torcazes. Este convite agradou-me de sobremaneira pois sou um apaixonado da caça aos pombos e tinha também uma antiga aspiração de um dia vir a caçar gansos. Por outro lado, a Escócia fica “aqui tão perto” e a libra está relativamente barata, o que tornava a viagem bastante acessível. Com todos estes atractivos, só podia concordar, pelo que acabei por convidar o nosso amigo João, também ele um aficcionado na caça aos pombos, que ficou deveras entusiasmado em nos acompanhar.

Apesar dos escritos nas nossas revistas da especialidade, tanta vezes repetidos, afirmando ser extremamente complicado o transporte de armas de caça para o Reino Unido, o processo foi extremamente simples. Bastou enviar por e-mail cópia do Passaporte Europeu de Armas e do documento do seguro, com extensão para a Escócia, e, algum tempo depois, recebemos em casa uma licença da polícia, permitindo a entrada das armas e a sua utilização em acto de caça, por um período de três meses. Mais um e-mail para a companhia aérea e tudo ficou tratado. Com aquele documento, a própria burocracia necessária no aeroporto de Edimburgo, tanto à entrada como à saída, é perfeitamente irrelevante. O mesmo não se poderá dizer dos procedimentos necessários à saída com as armas, no aeroporto de Lisboa, onde, na melhor das hipóteses, temos de contar com mais uma hora no “check in” só para as despachar.

À chegada, com a habitual pontualidade Britânica, esperava-nos o nosso guia de caça, o Alan. Este é um homem muito experiente, com muitos anos de caça tanto na Escócia como na Inglaterra, sendo grande especialista na caça aos gansos. Para além destes e dos pombos torcazes, a sua organização trata de caçadas aos patos, perdizes, faisões, grouses e corços. Estávamos em boas mãos.

Após cerca de uma hora, chegámos ao hotel. A paisagem era fantástica. Ficava situado numa pequena aldeia muito antiga, Kinesswood, implantada junto de um lago o “Loch Leven”. Leven (onze, em escocês) por ter onze ilhas, onze rios e onze milhas de perímetro. Tudo estava na perfeição.

 

Na madrugada seguinte saímos noite cerrada, com uma enorme expectativa pelo que nos aguardava. O tempo estava óptimo. Chegados ao campo de caça, montámos a enorme quantidade de negaças, a que chamam “decoys”, simulando, de forma muito realista, gansos a alimentar-se. Estes campos foram previamente “cebados” de forma a fidelizar aí estas aves.

 

Fomos colocados numa vala, perto das negaças e não foi necessário aguardar muito. Assim que se começou a clarear um pouco a luz do dia, os gansos (Pink-footed Goose – Anser brachyrhynchus) começaram a chegar em bandos numerosos e muito ruidosos, com o característico “rec, rec…”. Vinham alimentar-se após permanecerem durante a noite no lago, que constitui reserva integral.

 

A sensação de ver os bandos a “caírem” de forma maciça sobre as negaças é indiscritível. Quem conhece a sensação de ver os pombos torcazes a descerem sobre a “armação”, poderá ter apenas uma pálida ideia.

Tratando-se de aves de grande porte, os tiros (40 g de chumbo 3)  tinham de ser disparados a curta distância, pois se assim não fosse correr-se-ia o risco de as ferir gravemente sem as conseguir cobrar. Preferencialmente, a pontaria deveria ser feita à cabeça.

O guia ia trabalhando o apito bocal (chamariz) com mestria e os gansos foram caindo à voz de “shoot”, até ser dada ordem para parar, para evitar os excessos. De referir que em Setembro, mês em que ocorreu a caçada, ainda há muitos gansos novos e inexperientes, os que os torna mais vulneráveis. Em Dezembro ou Janeiro já estão muito mais “finos”, caindo no logro com muito maior dificuldade.

 

Terminada a caçada, foi necessário carregar o material e voltar rapidamente ao hotel para tomar um substancial pequeno almoço “à inglesa”, com bacon e ovos, e trocar os cartuchos e os “decoys” para irmos fazer o resto do dia aos pombos. No Reino Unido não se podem utilizar negas vivas, pelo que o “chamariz” consiste em pombos de plástico simulando estarem a comer no solo, acrescidos de pombos mortos, colocados aos pares numas varetas que vão rodando ao longo do dia em torno de um eixo vertical, accionado por um motor eléctrico, conferindo algum movimento ao conjunto. Toda a parafernália foi montada num campo de colza, com uma vista soberba, onde já tinha sido realizada a colheita e onde os pombos tinham muita querença.

 Não foi necessário esperar muito, pois os torcazes (localmente chamados por “wood pigeon” ou “woodies”) não tardaram a entrar. Individualmente ou em pequenos grupos, quase sempre de “bico ao vento”, “faziam-se” às negaças com facilidade, permitindo realizar tiros muito divertidos.

 

O tiroteio foi interrompido pelo “almoço”, constituído por sanduíches e uma lata de bebida, e continuou até cerca das dezasseis horas, quando os “woodies” deixaram de entrar. Por volta dessa hora, o guia voltou para nos recolher, conjuntamente com todo o material.

Foram três dias de caça muito intensos, garantidamente do agrado de todos os que apreciam caçar com negaças. Em particular, a caça aos gansos foi fantástica, não só por constituir novidade, mas, sobretudo pela tremenda sensação de ver os bandos numerosos, compostos por aves de grande porte, caírem em massa sobre o local onde nos localizávamos, respondendo ao chamariz vocal realizado pelo guia.

Foi para mim um privilégio caçar na Escócia, entre amigos, numa paisagem magnífica, com gente que sabe caçar, mas também sabe receber. Até para o ano.

Paulo Santana

(publicado na revista “Caça & Cães de Caça”)

Jun 26

TORDOS À ÉPOCA – ARRAIOLOS – 2025/26

CAÇADAS AOS TORDOS

 PORTAS PARA A ÉPOCA 2025/2026      

HERDADE DA FILTREIRA. ARRAIOLOS.

(ESGOTADO)

Cedem-se portas para caça aos tordos em herdade com oliveiras velhas e zambujeiros.

Zona com muita querença, entre Montemor e Arraiolos. A cerca de 1 hora de automóvel desde Lisboa.

Os tordos dormem nos silvados e árvores da ribeira e comem nas oliveiras e zambujeiros.

As caçadas aos tordos ocorrem apenas aos Domingos, ficando a reserva em total descanso durante os restantes dias da semana, pois a caça às espécies da geral só se realiza durante o mês de Outubro.

Preço da porta: 300 € (todos os domingos da época)

É permitido atirar aos pombos.

Contacto: PAULO SANTANA (913463458)

Mai 02

DOENÇA DE NEWCASTLE (paramixovirus)

NEW CASTLE OU PARAMIXOVIRUS

AGENTE CAUSAL: Paramixovirus aviar tipo 1

SINTOMAS:
1 – Transtornos digestivos:

    • Virus – vicerotropo
    • Excrementos aquosos —-> líquidos (como agua)
    • Sede intensa (pode aumentar 4-5 vezes o consumo)

2 – Transtornos nervosos:

    • Vírus neurotropo
    • Ligeiros tremores de cabeça.
    • Dificuldade para picar os grãos (afecta o nervo óptico).
    • Problemas de equilíbrio: o pombo tibuteia, e cai para um lado ou para trás (piruetas)
    • Torticolos: de 0º – 180 º
    • Problemas na vista com descoloração de um olho.
    • Paralisia duma asa ou das duas.
    • Paralisia duma pata ou das duas.

3 – Transtornos Respiratórios (Vírus neumotropo)

    • Conjuntivite, coriza, estertor. (São pouco frequentes)

DIAGNOSTICO:

    • De laboratório, por exame virológico do sangue.

TRATAMENTO:

    • Eliminar pombos doentes de pouco valor.
    • Isolar os pombos que queremos tratar.
    • Reduzir à normalidade o consumo de agua (50 c por dia).
    • Encher bem os comedouros ou dar-lhes de comer com manga ou seringa.
    • Administrar conjuntamente:
      • Antibióticos (Tetraciclinas, enrofloxacina, etc.)
      • Aminoácidos
      • Vitaminas
      • Levamisol (como estimulante das defesas).

PROFILAXIA:
Limpeza e desinfecção do pombal

VACINAÇÃO:
a) Vírus morto: ou inactivo em solução aquosa.

    • Intramuscular ou subcutânea.
    • Imunidade: um ano COLOMBOVAC (Holanda)

b) Vírus vivo: Cepa B1 ou La Sota.

    • Na agua da bebida e por gota nasal ou ocular.

Imunidade : 2 meses. Aos 4 dias de aplicação da vacina ao vírus vivo é conveniente realizar o seguinte Shock:

    • Levamisol: 1-2 dias
    • Vitaminas, Antibióticos e Aminoácidos: durante 4-5 dias.

IMPORTANTE: É obrigação do columbófilo denunciar ou comunicar à sua sociedade o surto desta doença no seu pombal, para que todos os columbófilos tomem as precauções devidas.

Mai 02

TORCAZES, ONDE ESTÃO?

Esta página destina-se a, durante a época de caça, informar onde se encontram os pombos torcazes.

2025

SEG, 24 NOV – Depois das excelentes caçadas da semana passada nas zonas de Grândola e Sta. Margarida, desde sexta-feira os pombos desceram e não voltaram.  Também boas caçadas na zona de Arraiolos e Vimieiro, até Estremoz, no final da semana.

Ontem, domingo, alguns bandos começaram a deslocar-se para norte, a reverter a migração. Algumas boas caçadas nas zonas mais a sul (Ourique e Aljustrel).

Salamanca já não tem pombos.

TER, 18 NOV – Forte descida de torcazes vindos de Espanha. Pombos a passar todo o dia no Alto Alentejo, na direcção de Alcácer, Palma e Grândola. Forte entrada no Pinheiro Francês, embora alguns seguissem para sul.

SEG, 17 NOV – Perto de dois mil e quinhentos torcazes  passaram pela costa. O vento forte e persistente de sul nos últimos dias, impediu que mais pombos se juntassem ao cerca de um milhão cento e quarenta mil que já se encontram na península.

Por cá, os torcazes ccontinuam em quantidade na zona de Alcácer / Grândola / Ferreira. Ontem, algumas caçadas razoáveis no Pinheiro Francês, embora muito abaixo dos anos de ouro.

TER, 11.NOV – Mais uma passagem muito relevante, sobretudo pela costa, tal como tem acontecido esta época. Passaram mais de CENTO E TRINTA MIL POMBOS. O total ascende agora a perto de UM MILHÃO, CENTO E CINQUENTA MIL TORCAZES.

SEG, 10.NOV – Bandos muito grandes passaram a grande altura nos Pirinéus. O MAIOR PICO DESTA ÉPOCA. Atravessaram perto de QUATROCENTOS MIL TORCAZES. Por cá, os torcazes chegam finalmente, em quantidade, à zona de Alcácer / Grândola / Ferreira. 

DOM, 09.NOV – Boa passagem de torcazes através dos Pirinéus. Com bom tempo, cerca de 125000 pombos juntaram-se ao contingente que já se encontrava na península.

TER, 04.NOV –  com o céu praticamente limpo, apesar das rajadas de vento leste, com mais de 45 km/h, uma passagem muito bonita. Atravessaram, sobretudo e mais uma vez, pelo corredor costeiro, perto de 90 000 torcazes. Estes, somados aos que já passaram esta temporada, ascendem a perto de MEIO MILHÃO. Pombos a descer na zona do Sabugueiro / Évora Monte. Chegam ao Pinheiro Francês.

QUI, 30.OUT – Voltámos a ter uma boa passagem através dos pontos de contagem nos Pirinéus. Atravessaram cerca de 170 MIL TORCAZES

TER, 28.OUT – Com um dia magnífico muito propício à migração, OCORREU O PRIMEIRO GRANDE GOLPE.  Passaram perto de 270 MIL TORCAZES.